Inteligência para salvação
Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que
aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu.
Porque desde criança você conhece as Sagradas Letras, que são capazes de
torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus. (2
Timóteo 3.14-15)
É uma máxima não cristã que as pessoas deveriam viver autenticamente,
ou que deveriam ser verdadeiras consigo mesmas. O problema é que quando
pessoas terríveis vivem a sua verdadeira natureza, o resultado são
tempos terríveis. Todos os tipos de males florescem na sociedade porque
pessoas más vivem autenticamente. Eles pensam e se comportam de acordo
com a natureza de seu pai, o diabo. Muitos deles estão infiltrados até
na igreja. Exibem uma forma de piedade, mas negam o seu poder em seu
caráter e doutrina. Eles se opõem à verdade e perseguem os justos.
Mas nós estamos aqui para nos opormos a ele. Embora conspirem contra
nós, a Bíblia diz que o Senhor está assentado em seu trono e ri deles.
Assim como o Senhor ri dos seus inimigos, Elias zombou dos falsos
profetas. Aqueles que são fieis ao evangelho deveriam seguir o seu
exemplo piedoso e ridicularizar os incrédulos. Honramos a Deus quando
escarnecemos aqueles que desprezam a sua sabedoria e poder. Encorajamos
os eleitos quando os lembramos que a incredulidade é tola e fútil, e que
é apropriado, mesmo necessário, assim dizê-lo. E nos opomos contra as
investidas dos não cristãos quando demonstramos que são eles os
irracionais e imorais. Para parafrasear a confrontação entre Acabe e
Elias, quando eles dizem, “Vocês são aqueles que perturbam este mundo?”
respondemos, “Não! Vocês são!”.
Paulo diz que ele é diferente dos falsos mestres e impostores
religiosos. Enquanto eles são ingratos, profanos, sem amor, e assim por
diante, e enquanto eles se oponhem à verdade, o apóstolo aponta para a
sua sã doutrina, sua forma de vida, seu propósito, fé, paciência e
outras qualidades piedosas. Ele também menciona que ele suportou
perseguição inúmeras vezes. Suas doutrinas, virtudes e sofrimentos são
informações públicas.
Comentaristas se apressam para explicar porquê a declaração de Paulo
não constitui ostentação arrogante de suas realizações. O que é estranho
é tal defesa ser necessária. Talvez eles mencionem isso em benefício
dos leitores. Claramente, Paulo não se considera arrogante, nem existe
algo na Escritura que condenaria esse tipo de conversa franca. Assim, a
menos que abordemos a Bíblia com um padrão de humildade que seja alheio à
Bíblia – um padrão antibíblico – consideraríamos isso como uma
declaração verdadeira sobre a obra da graça de Deus nele, e nem sequer
cruzaria nossas mentes que ele poderia estar fazendo um alarde arrogante
sobre sua própria espiritualidade. A forma como abordamos a Escritura
expõe nossas atitudes e preconceitos. Em todo caso, o apóstolo fornece
uma declaração direta para se contrastar contra aqueles que têm uma
forma de piedade, mas negam o seu poder.
Então ele diz para que Timóteo também seja diferente. A forma de
fazer isso é “permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem
convicção”. Novamente, a diferença básica é doutrinária. Paulo diz que
Timóteo está convencido das doutrinas que tinha aprendido. Esse é um
contraste nítido com aqueles indivíduos espiritualmente fracos e
confusos, que estão “sempre aprendendo, e jamais conseguem chegar ao
conhecimento da verdade”.
Algumas pessoas estão sempre curiosas sobre as últimas teorias e
movimentos religiosos. Eles gostam de ter trechos do ensino aqui e ali,
comentar sobre ele, e argumentar sobre ele. Costumamos reclamar que há
tantos estudos bíblicos sem supervisão competente, onde crentes
ignorantes, seduzidos por seus próprios desejos e preconceitos, têm a
permissão de contribuir com suas opiniões sobre a Escritura. Agora temos
a internet, de forma que eles nem mesmo precisam deixar seus lares para
fazer isso.
Alguns são mais aventureiros e até mesmo arranjam debates públicos
para defender o cristianismo. Mas para eles todo o empreendimento é uma
busca pessoal e acadêmica. Eles se deleitam nas discussões e
controvérsias, mas não no Senhor Jesus Cristo. Esse não é o zelo ou amor
genuíno por Deus, mas é apenas outro exemplo de uma forma de piedade
sem seu poder. Suas atividades constituem uma forma de entretenimento
para eles mesmos. Sua obra parece ser um ministério somente porque
acontece de estarem do lado da fé cristã, pelo menos por ora. Em vez
disso, deveríamos aprender a verdade e nos tornarmos convencidos dela,
estabelecidos nela e permanecermos firmes nela.
Timóteo tinha aprendido as doutrinas corretas a partir de instrutores
confiáveis, desde que era um infante. Pais e ministros deveriam ensinar
doutrinas bíblicas às crianças pelo menos tão logo sejam capazes de
entender a linguagem. Ainda melhor, eles deveriam ensinar a linguagem às
crianças por meio de doutrinas bíblicas. É comumente assumido que
crianças acham doutrinas chatas e difíceis. Assim, em vez de
ensinar-lhes os profetas do Antigo Testamento e as epístolas de Paulo,
contamo-lhes histórias sobre a Arca de Noé, Sansão, e Davi e Golias. Sem
dúvida, essas são histórias muito boas, mas não devemos aprensentá-las
somente como histórias, mas como eventos históricos colocados no
contexto da revelação de Deus concernente aos seus propósitos e ações no
tempo, levando à aparição de Jesus Cristo, e também explicando seu
lugar no sistema de doutrinas cristãs. Não cabe a nós assumir no lugar
das crianças que doutrinas são chatas e difíceis. Ensine-as. Deixe que
os pequenos réprobos durmam, mas dê às crianças eleitas uma chance de
aprender. Pode haver um Timóteo entre elas.
Um teólogo famoso publicou recentemente um livro de teologia
sistemática para crianças. É uma ideia maravilhosa. Contudo, essa obra
de outra forma decente está marcada de repetidos avisos que algumas das
doutrinas sob consideração são difíceis de entender. Mas isso é quase
sempre precedido ou seguido por explicações claras e simples das
doutrinas, e na maioria das vezes as explicações são boas ou pelo menos
aceitáveis. Parece que o escritor foi programado pela tradição religiosa
que deve-se supor que algumas doutrinas são difíceis de entender, de
forma que isso é o que uma pessoa deveria dizer mesmo que ela seja capaz
de explicar quase tudo claramente e em termos simples.
Contudo, isso é uma injustiça grosseira às crianças, até mesmo um
envenenamento de suas mentes, dizer-lhes que certas doutrinas são
difíceis de entender, a menos que a própria Bíblia declare
especificamente que essas doutrinas são difíceis para a compreensão
humana. De outra forma, estaríamos impondo nossa própria incompetência e
tradição antibíblica sobre a próxima geração. O apóstolo Pedro admite
que alguns dos escritos de Paulo são difíceis de entender. Mas ele não
especifica passagens ou doutrinas particulares. Em adição, até mesmo
algo que seja difícil de entender pode ser entendido – difícil não
significa impossível. E algo que costumava ser difícil de entender, uma
vez entendido, pode ser entendido melhor e melhor até que se torne fácil
explicar e pensar sobre o assunto. A menos que a Bíblia seja mais
específica, não cabe a algum teólogo nos dizer o que pode ou não ser
entendido simplesmente porque ele acha difícil, ou simplesmente porque
ele pensa que somos estúpidos. Ele não tem direito de impor suas
próprias limitações e preconceitos sobre nós. Vamos parar de instalar
bloqueios mentais na mente das nossas crianças, para que elas possam ir
além de nós.
Paulo observa que os escritos sagrados são capazes de tornar Timóteo
“sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus”. Como o faz em
outros lugares, o apóstolo coloca a diferença entre cristãos e não
cristãos como uma questão de sabedoria, isto é, de intelecto e de
inteligência. Em sua carta aos Romanos, ele se refere aos homens ímpios
que tinham recusado reconhecer ou adorar a Deus desde a criação do
mundo. E ele diz: “Os seus pensamentos tornaram-se inúteis e as suas
mentes estúpidas estão nas trevas. Eles alegam ser sábios, mas são
tolos” (Romanos 1.21-22, CEV).
É estranho que mesmo cristãos insistem que os não cristãos são
inteligentes. De que lado eles estão? Algumas vezes eles atribuem um
significado limitado à sabedoria, restringido-a assim às questões
morais. Assim, os incrédulos são “moralmente estúpidos”. Esse argumento
falha por pelo menos três razões. Primeiro, a Bíblia não usa essa ou
palavras equivalentes nesse sentido limitado. O contexto sempre leva a
uma interpretação intellectual, ou seja, que os não cristãos são
intelectualmente estúpidos. Segundo, a Bíblia distingue entre ser
estúpido e ser ímpio, e declara que os incrédulos são tanto estúpidos
como ímpios, não apenas ímpios. Terceiro, a Bíblia diz que os incrédulos
“alegam ser sábios”, mas essa alegação é incorreta. Mas os incrédulos
não alegam ser sábios somente num sentido moral. A menos que esses
cristãos estejam prontos para acusar a Bíblia de equívoco, quando ela
diz que os não cristãos são tolos, isso corresponde à alegação dos
incrédulos que eles são sábios – isto é, não somente no sentido moral.
Portanto, o ensino da Bíblia é que os não cristãos são pessoas
ignorantes – eles são tolos estúpidos e sem inteligência. Sem dúvida,
eles também são ímpios. Essa qualidade está relacionada à tolice, mas é
distinguível dela.
A Escritura dá sabedoria que leva à salvação. Isso pressupõe pecado e
inferno. Fomos resgatados dessas coisas pela sabedoria que recebemos
das doutrinas bíbliacs. Essa sabedoria ensina o caminho da fé, e isso
significa que é necessário uma crença pessoal em algo definido. A
salvação não é automática e universalmente aplicada, mas somente certas
pessoas a recebem, e essas pessoas são marcadas pela fé.
Essa fé é em “Cristo Jesus”. Isso está associado com uma ideia
definida de Deus, da encarnação, da expiação e ressurreição. A fé da
salvação é definida, e seu foco é singular e exclusivo. A salvação
pertence àqueles que inteligentemente creem no que a Escritura diz sobre
Jesus Cristo. Qualquer proposta que não seja da fé, ou que não seja da
fé em Cristo, além de não ser inteligente, é incapaz de salvar alguém da
condenação eterna.
Autor: Vincent Cheung
Fonte:
Monergismo