quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Jesus Cristo virá em breve, você está preparado?


Referência: Mateus 24.1-51
INTRODUÇÃO
A segunda vinda de Cristo é o assunto mais enfatizado em toda a Bíblia. Há cerca de 300 referências sobre a primeira vinda de Cristo na Escritura e 8 vezes mais sobre a segunda vinda, ou seja, há mais de 2.400 referências sobre a segunda vinda em toda a Bíblia.
A segunda vinda de Cristo é o assunto mais distorcido e o mais desacreditado. Muitos falsos mestres negam que Jesus voltará. Outros tentam enganar as pessoas marcando datas. Mas outros, dizem crer na segunda vinda de Cristo, mas vivem como se ele jamais fosse voltar.
É sobre esse importante tema que vamos falar nesta hora.
1. A admiração dos discípulos e a declaração de Jesus 
Os discípulos ficaram admirados com a magnificência do templo e Jesus diz que não ficará pedra sobre pedra. Aquele majestoso templo de mármore branco, bordejado de ouro, o terceiro templo de Jerusalém, um dos mais belos monumentos arquitetônicos do mundo, seria arrasado pelos romanos quarenta anos depois no terrível cerco de Jerusalém.
2. A profecia acerca da destruição de Jerusalém e da segunda vinda 
Os discípulos perguntam quando isso se daria e que sinais haveria da sua vinda. Essa resposta tem a ver com a destruição de Jerusalém e também com a segunda vinda, a consumação dos séculos. A destruição do templo é um símbolo do que vai acontecer na segunda vinda.
A segunda vinda de Cristo é a doutrina que recebe maior ênfase em toda a Bíblia. Há cerca de 300 referências à primeira vinda e oito vezes mais acerca da segunda vinda, ou seja, há mais de 2.400 alusões na Bíblia sobre a segunda vinda de Cristo.
Jesus prediz a iminente catástrofe de Jerusalém como um tipo da grande tribulação do final dos tempos.
I. OS SINAIS DA SEGUNDA VINDA DE CRISTO 
1. Sinais que mostram a graça – v. 14 
Jesus morreu para comprar aqueles que procedem de toda tribo, raça, povo, língua e nação (Ap 5.9). A evangelização das nações é um sinal que deve preceder a segunda vinda de Cristo. A igreja deve aguardar e apressar o dia da vinda de Cristo. Não há uma promessa de que toda pessoa receberá uma oportunidade de ser salvo. Jesus está falando das nações do mundo. Está falando que cada uma destas nações em uma ou outra ocasião durante o curso da história ouvirá o evangelho. Este evangelho será um testemunho. Aqui não há promessa de segunda oportunidade.
A história das missões mostra que o evangelho tem se estendido do oriente até o ocidente.
Primeiro, de Constantino até Carlos Magno (313-800) – as boas novas da salvação são levadas aos países da Europa Ocidental. Nesse tempo os maometanos apagam a luz do evangelho em muitos países da Ásia e África.
Segundo, de Carlos Magno até Lutero (800-1517) – Noruega, Islândia e Groelândia são evangelizados e os escravos da Europa Oriental se convertem como um só corpo ao Cristianismo.
Terceiro, de 1517 até 1792 – Originaram-se muitas sociedades missionárias e o evangelho é levado até o Ocidente.
Quarto, de 1792 até o presente – É no ano de 1792 que William Carey começa as missões modernas. A evangelização dos povos é ainda uma tarefa inacabada.
Hoje, os meios de comunicação de têm acelerado o cumprimento dessa profecia. Bíblias têm sido traduzidas. Missionários têm se levantado. Podemos apressar o dia da vinda de Cristo.
2. Sinais que indicam oposição a Deus 
a) A tribulação (v. 9,10,21,22)
A vinda de Cristo será precedida de um tempo de profunda angústia e dor. Esse tempo é ilustrado com o tempo do cerco de Jerusalém, onde o povo foi encurralado pelos exércitos romanos e foram mortos à espada. Esse tempo será abreviado por amor aos eleitos. A igreja passará pela grande tribulação. Será o tempo da angústia de Jacó.
A perseguição religiosa (v. 9,10) tem estado presente em toda a história: os judaizantes, os romanos, a intolerância romana, os governos totalitários, o nazismo, o comunismo, o islamismo, as religiões extremistas. No século vinte tivemos o maior número de mártires da história.
Essa grande tribulação descreve o mesmo período: 1) A Apostasia; 2) A manifestação do homem da iniqüidade; 3) O pouco tempo de Satanás. Esse é um tempo angustiante como nunca houve em toda a história.
b) A apostasia (v. 4,5,23-26)
É significativo que o primeiro sinal que Cristo apontou para a sua segunda vinda tenha sido o surgimento de falsos messias, falsos profetas, falsos cristãos, falsos ministros, falsos irmãos, pregando e promovendo um falso evangelho nos últimos dias. Cristo declarou que um falso cristianismo vai marcar os últimos dias. Estamos vendo o ressurgimento do antigo gnosticismo, de um novo evangelho, de um outro evangelho, de um falso evangelho nestes dias.
A segunda vinda será precedida por um abandono da fé verdadeira. O engano religioso vai estar em alta. Novas seitas, novas igrejas, novas doutrinas se multiplicarão. Haverá falsos profetas, falsos cristos, falsas doutrinas e falsos milagres.
Vivemos hoje a explosão da falsa religião. O Islamismo domina mais de um bilhão de pessoas. O Catolicismo Romano também tem um bilhão de seguidores. O Espiritismo Kardecista e os cultos afro-brasileiros proliferam-se. As grandes religiões orientais: Budismo, Hinduísmo mantém milhões de pessoas num berço de cegueira espiritual.
As seitas orientais e ocidentais têm florescido com grande força. Os desvios teológicos são graves: Liberalismo, Misticismo, Sincretismo. Os grandes seminários que formaram teólogos e missionários hoje estão vendidos aos liberais. Muitas igrejas históricas já se renderam ao liberalismo. Há igrejas mortas na Europa, na América e no Brasil, vitimadas pelo liberalismo. Há aqueles que negam a ressurreição e dizem que os milagres são mitos.
O misticismo está tomando conta das igrejas hoje. A verdade é torcida. A igreja está se transformando numa empresa, o púlpito num balcão, o templo numa praça de barganha, o evangelho num produto de consumo, e os crentes em consumidores.
c) A depravação moral (v. 12)
A iniqüidade vai se multiplicar e o amor esfriar. O mundo vai estar sem referência, perdido, confuso, sem balizas morais, sem norte ético. Vai existir a desintegração da família, a falência das instituições, o colapso dos valores morais e espirituais. O índice de infidelidade conjugal é alarmante. O índice de divórcio já passa de 50%. O homossexualismo é aplaudido. A pornografia tornou-se uma indústria poderosa. O narcotráfico afunda a juventude no pântano das drogas.
A corrupção moral está presente nas cortes. As instituições estão desacreditadas. Os parlamentos estão sem autoridade moral. A corrupção religiosa é alarmante. O sagrado está sendo vendido.
A depravação moral pode ser vista:
a) Revolução sexual – homossexualismo, infidelidade, falta de freios morais.
b) Rendição às drogas – juventude chafurdada no atoleiro químico.
c) Dissolução da família – divórcio do cônjuge e dos filhos.
d) Violência urbana – As cidades tornaram-se campo de barbárie.
e) A solidão – No século da comunicação e da rapidez dos transportes, as pessoas estão morrendo de solidão, na janela virtual do mundo, a Internet.
d) O Anticristo (v. 15)
O sacrílego desolador de que fala Daniel aplicou-se ao Antíoco Epifânio no século II a.C. e também às legiões romanas que invadiram Jerusalém em 70 d.C. para fincar uma imagem do imperador dentro do templo. Eles são um símbolo e um tipo do anticristo que virá no tempo do fim.
O Espírito do anticristo já está operando no mundo. Ele se opõe e se levanta contra tudo o que é Deus. Ele vai se levantar para perseguir a igreja. Ninguém vai resistir ao seu poder e autoridade. Ele vai perseguir, matar, controlar. Muitos crentes vão ser mortos e selar seu testemunho com a própria morte.
O anticristo não é um partido, não é uma instituição nem mesmo uma religião. É um homem sem lei, uma espécie de encarnação de Satanás, que vai agir na força e no poder de Satanás. Ele será levantado em tempo de apostasia. Vai governar com mão de ferro. Vai perseguir cruelmente a igreja. Vai blasfemar contra Deus. Mas, no auge do seu poder, Cristo virá em glória e o matará com o sopro da sua boca. Ele será quebrado sem esforço humano. Nessa batalha final, o Armagedom, a única arma usada, será a espada afiada que sairá da boca do Senhor Jesus.
3. Sinais que indicam o juízo divino 
a) As guerras (v. 6,7)
Ao longo da história tem havido 13 anos de guerra para cada ano de paz. Desde 1945, após a segunda guerra mundial, o número de guerras tem aumentado vertiginosamente. Registra-se mais de 300 guerras desde então, na formação de nações emergentes e na queda de antigos impérios. A despeito dos milhares de tratados de paz, os últimos cem anos foram denominados do século da guerra. Nos últimos cem anos já morreram mais de 200 milhões de pessoas nas guerras.
Segundo pesquisa do Reshaping International Order Report quase 50% de todos os cientistas do mundo (500.000) estão trabalhando em pesquisas de armas de destruição. Quase 40% dos recursos das nações são colocadas na pesquisa e fabricação de armas. Falamos de paz, mas gastamos com a guerra. Gastamos mais de um trilhão de dólares por ano em armas e guerras. Poderíamos resolver o problema da fome, do saneamento básico, da saúde pública e da moradia do terceiro mundo com esse dinheiro.
O mundo está encharcado de sangue. Houve mais tempo de guerra do que de paz. A aparente paz do império romano foi subjugada por séculos de conflitos, tensões, e guerras sangrentas. A Europa foi um palco tingido de sangue de guerras encarniçadas. O século vinte foi batizado com o século da guerra.
Na primeira Guerra Mundial (1914-1918) 30 milhões de pessoas foram trucidadas. Ninguém podia imaginar que no mesmo palco dessa barbárie, vinte anos depois explodisse outra guerra mundial. A segunda Guerra Mundial (1939-1945) ceifou 60 milhões de pessoas. Foi gasto mais de 1 trilhão de dólares.
Hoje falamos em armas atômicas, nucleares, químicas e biológicas. O mundo está em pé de guerra. Temos visto irmãos lutando contra irmãos e tribo contra tribo na Albânia, Ruanda, Bósnia, Kosovo, Chechênia, Sudão e Oriente Médio. São guerras tribais na África. Guerras étnicas na Europa e Ásia. Guerras religiosas na Europa. A cada guerra, erguemos um monumento de paz para começar outra encarniçada batalha.
b) Os terremotos (v. 7,29)
De acordo com a pesquisa geológica dos Estados Unidos:
a) De 1890 a 1930 – houve apenas 8 terremotos medindo 6.0 na escala Rischter.
b) De 1930 a 1960 – Houve 18.
c) De 1960 a 1979 – 64 terremotos catastróficos.
d) De 1980 a 1996 – mais de 200 terremotos dramáticos.
O mundo está sendo sacudido por terremotos em vários lugares. Os tufões e maremotos têm sepultado cidades inteiras: Desde o ano 79 d.C., no primeiro século, quando a cidade de Pompéia, na a Itália foi sepultada pelas cinzas de Vesúvio, o mundo está sendo sacudido por terremotos, maremotos, tufões, furacões e tempestades. Em 1755 60 mil pessoas morreram por terrível terremoto em Lisboa. Em 1906 um terremoto avassalador destruiu a cidade de São Francisco na Califórnia. Em 1920 a província de Kansu na China foi arrasada por um terremoto. Em 1923 Tókio foi devastada por um terremoto. Em 1960 o Chile foi abalado por um terremoto que deixou milhares de vítmas. Em 1970 o Peru foi arrasado por um imenso terremoto.
Nos últimos anos vimos o Tissunami na Ásia, invadindo com ondas gigantes cidades inteiras. O furacão Katrina deixou a cidade de New Orleans debaixo de água. Dezenas de outros tufões, furacões, maremotos e terremotos têm sacudido os alicerces do planeta terra, destruído cidades e levado milhares de pessoas à morte.
Só no século XX houve mais terremotos do que em todo o restante da história. A natureza está gemendo e entrando em convulsão. O aquecimento do planeta está levando os pólos a um derretimento que pode provocar grandes inundações.
Apocalipse 6 fala que as colunas do universo são todas abaladas. O universo entra em colapso. Tudo o que é sólido é balançado. Não há refúgio nem esconderijo para o homem em nenhum lugar do universo. O homem desesperado busca fugir de Deus, esconder-se em cavernas e procurar a própria morte, mas nada nem ninguém podem oferecer refúgio para o homem. Ele terá que enfrentar a ira de Deus.
Quando Cristo vier os céus se desfarão em estrepitoso estrondo. Deus vai redimir a própria da natureza do seu cativeiro. Nesse tempo a natureza vai estar harmonizada. Então as tensões vão acabar. A natureza será totalmente transformada.
c) As fomes e epidemias (v. 7; Lc 21. )
A fome é um subproduto das guerras. Gastamos hoje mais de um trilhão de dólares com armas de destruição. Esse dinheiro daria para resolver o problema da miséria no mundo. A fome hoje mata mais que a guerra. O presidente americano Eisenhower, em 1953 disse: “O mundo não está gastando apenas o dinheiro nas armas. Ele está despendendo o suor de seus trabalhadores, a inteligência dos seus cientistas e a esperança das suas crianças. Nós gastamos num único avião de guerra 500 mil sacos de trigo e num único missel casas novas para 800 pessoas”.
A fome é um retrato vergonhoso da perversa distribuição das riquezas. Enquanto uns acumulam muito, outros passam fome. A fome alcança quase 50% da população do mundo. Crianças e velhos, com o rosto cabisbaixo de vergonha, com ventre fuzilado pela dor da fome estonteante, disputam com os cães leprentos os restos apodrecidos das feiras.
Enquanto isso, as epidemias estão se alastrando e apavorando a humanidade: a gripe aviária na Ásia assusta o mundo, a aftosa no Brasil mexeu com a nossa economia, a AIDS está crescendo a fazendo milhões de vítimas em todo o mundo.
II. A DESCRIÇÃO DA SEGUNDA VINDA DE CRISTO 
1. Será repentina – v. 27 
Cristo virá como um relâmpago. É como o piscar do olho, o faiscar de uma estrela e como o dardejar da calda de um peixe. Ninguém poderá se preparar de última hora. Quando o noivo chegar será tarde demais para buscar encher as lâmpadas de azeite. Viver a vida despercebidamente é uma loucura. Você está preparado para a vinda do Senhor Jesus. Essa pode ser a sua última oportunidade. Já é meia-noite. O noivo está chegando. Você está pronto para encontrar-se com ele.
2. Será gloriosa – v. 30 
Será uma vinda pessoal, visível, pública. Todo o olho o verá. Não haverá um arrebatamento secreto e só depois uma vinda visível. Sua vinda é única.
Jesus aparecerá no céu. Ele estará montado em um cavalo branco. Ele virá acompanhado de um séqüito celestial. Virá do céu ao soar da trombeta de Deus. Ele descerá nas nuvens, acompanhado de seus santos anjos e dos remidos. Ele virá com grande esplendor.
Todos os povos que o rejeitaram vão se lamentar. Aquele será um dia de trevas e não de luz para eles. Será o dia do juízo, onde sofrerão penalidade de eterna destruição. As tribos da terra conscientes de sua condição de perdidos se golpearão nos peitos atemorizados pela exibição da majestade de Cristo em toda a sua glória. O terror dos iníquos descreve-se graficamente em Apocalipse 6.15-17.
3. Será vitoriosa – v. 31 
Jesus virá para arrebatar a igreja. Os anjos recolherão os escolhidos dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus. Os eleitos de Deus serão chamados. A Bíblia diz que quando Cristo vier, os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, com corpos incorruptíveis, poderosos, gloriosos, semelhantes ao corpo da glória de Cristo. Então, os que estiverem vivos serão transformados e arrebatados para encontrar o Senhor nos ares e assim estaremos para sempre com o Senhor. Aquele dia será de vitória. Nossas lágrimas serão enxugadas. Então entraremos nas bodas do Cordeiro. Então ouviremos: Vinde benditos do meu Pai, entrai na posse do Reino.
Jesus virá também para julgar aqueles que o traspassaram (v. 30). Ele virá julgar vivos e mortos. Aqueles que escaparam da justiça dos homens não poderão escapar do tribunal de Cristo. Naquele dia o dinheiro não os livrará. Naquele dia, o poder político não os ajudará. Eles terão que enfrentar o Cordeiro a quem rejeitaram. Naquele tribunal os ímpios terão testemunhas que se levantarão: suas palavras os condenarão. Suas obras os condenarão. Seus pensamentos os condenarão. Seus pecados escreverão sua sentença de morte eterna.
III. A PREPARAÇÃO PARA A SEGUNDA VINDA DE CRISTO 
1. Precedida por avisos claros – v. 32,33 
Quando essas coisas começarem a acontecer devemos saber que está próxima a nossa redenção. A figueira já começou a brotar, os sinais já estão gritando aos nossos ouvidos. O livro de Apocalipse nos mostra que Deus não derrama as taças do seu juízo sem antes tocar a trombeta. Os sinais da segunda vinda são trombetas de Deus embocadas para a história. Ele está avisando que ele vem. Ele prometeu que vem. “Eis que venho sem demora”. Ele prometeu que assim como foi para o céu, voltará.
A Bíblia diz que Jesus virá em breve. Os sinais da sua vinda apontam que sua vinda está próxima. A Palavra de Deus não pode falhar. Passa o céu e a terra, mas a Palavra não passa. Essa Palavra é verdadeira. Prepare-se para encontrar-se com o Senhor seu Deus!
2. Será imprevisível – v. 36 
Ninguém pode decifrar esse dia. Ele pertence exclusivamente à soberania de Deus. Quando os discípulos perguntaram a Jesus sobre esse assunto, ele respondeu: “Não vos compete saber tempos ou épocas que o Pai reservou para a sua exclusiva autoridade”. Daquele dia nem os anjos nem o Filho sabem. Aqueles que marcaram datas fracassaram. Aqueles que se aproximam das profecias com curiosidade frívola e com o mapa escatológico nas mãos são apanhados laborando em grave erro.
SE nós não sabemos o dia nem a hora, seremos tidos por loucos se vivermos despercebidamente.
3. Será inesperada – v. 37-39 
Quando Jesus voltar os homens vão estar desatentos como a geração diluviana. Vão estar entregues aos seus próprios interesses sem se aperceberem da hora. Comer, beber, casar e dar-se em casamento não são coisas más. Fazem parte da rotina da vida. Mas, viver a vida sem se aperceber que Jesus está preste a voltar é viver como a geração diluviana. Quando o dilúvio chegou pegou a todos de surpresa.
Muitos hoje estão comprando, vendendo, casando, viajando, descansando, jogando, brincando, pecando; esses vão continuar vivendo despercebidamente até o dia que Jesus virá. Então, será tarde demais. Não há nada de mal no que estão fazendo. Mas quando os homens estiverem tão envolvidos em coisas boas em si ao ponto de esquecerem de Deus, estarão então maduras para o juízo.
4. Será para o juízo – v. 40,41 
Naquele dia será tarde demais para se preparar. Haverá apenas dois grupos: os que vão desfrutar das bem-aventuranças eternas e os que vão ficar para o juízo. Dois estarão no campo um será levado e o outro deixado. Duas estarão trabalhando no moinho, uma será tomada e a outra deixada. Tomados para Deus, deixados para o juízo eterno. A lição aqui é a mesma. Os anjos tomarão uns para viverem com o Senhor para sempre e os outros serão deixados para o juízo de condenação eterna.
A segunda vinda de Cristo põe fim a todas as esperanças. Não tem segunda chamada. Não tem mais chance de salvação. Naquela a porta da oportunidade estará fechada. Em vão as virgens néscias baterão. Em vez os homens clamarão por clemência. A vinda de Cristo é única e logo em seguida ele se assentará no trono da sua glória para o grande julgamento.
5. Necessidade de vigilância – v. 42-44 
A palavra de ordem de Jesus é: Vigiai! Esse dia será como a chegada de um ladrão: Jesus vem de surpresa, sem aviso prévio, sem telegrama. É preciso vigiar. É preciso estar preparado. Não sabemos nem o dia nem a hora. Precisamos viver apercebidos.
Aqueles que andam em trevas serão apanhados de surpresa. Nós, porém, somos filhos da luz. Devemos viver em santa expectativa da segunda vinda de Cristo, orando sempre, “Maranata, ora vem, Senhor Jesus”.
CONCLUSÃO 
Jesus termina seu discurso profético, contando uma parábola acerca do Senhor que viajou e encarregou seus bens e seus servos nas mãos de dois encarregados (v. 45-51). A preparação para a vinda do Senhor é servi-lo com fidelidade.
1. O servo fiel
Um deles cuidou com zelo de tudo, sabendo que haveria de prestar contas ao seu Senhor. Seu senhor chegou e lhe galardoou com privilégios.
2. O servo infiel 
O outro pensou: “Meu senhor vai demorar muito”. Então passou a espancar os companheiros e comer e beber com os ébrios. O seu senhor então, virá em dia em que ele não espera e o castigará e sua sorte com os hipócritas, onde há choro e ranger de dentes.
Esse servo demonstrou três atitudes: 1) Despreocupação; 2) Desalmado; 3) Dissipação.
Como você está vivendo: em santidade ou desprezando o seu senhor, porque julga que ele vai demorar. Acerte sua vida com Jesus. Em breve ele chamará você para prestar conta da sua administração. Viva hoje como se ele fosse voltar amanhã. O dia final se aproxima.
Autor: Hernandes Dias Lopes
Fonte: Palavra da Verdade 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Disciplina e pureza da igreja


Jesus instituiu a disciplina na igreja (Mt 18.15-20) com o objetivo de estabelecer os limites entre o mundo e a igreja, bem como combater o pecado dentro dela. Vários textos do Novo Testamento revelam, que no contexto da igreja, a disciplina sempre foi usada como remédio necessário para zelar por sua saúde espiritual (Rm 16.17; 2Co 2.5-11; 2Co 13.1-2; Gl 6.1-5; 2Ts 3.6-15; 1Tm 1.18-20; 5.19-22; Tt 3.10-11).
O que é a disciplina? “A disciplina eclesiástica é o exercício da jurisdição espiritual da Igreja sobre seus membros, aplicada de acordo com a Palavra de Deus. Toda disciplina visa edificar o povo de Deus, corrigir escândalos, erros ou faltas, promover a honra de Deus, a glória de nosso Senhor Jesus Cristo e o próprio bem dos culpados” (Código de Disciplina da IPB). Quem deve aplicar a disciplina?Jesus deu autoridade espiritual à igreja para a aplicação da disciplina, por meio de uma liderança humilde, misericordiosa e exemplar (Mt 18.15-35).
Um membro da igreja em Corinto vivia deliberadamente na prática do pecado. Paulo denuncia:Geralmente, se ouve que há entre vós imoralidade e imoralidade tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai.(v.1). A pratica incestuosa daquele irmão era pública e atingia toda a coletividade. Todos na igreja sabiam daquele relacionamento ilícito e ninguém tomava providências. O irmão pecava por ação e a igreja por omissão.
Os membros da igreja em Corinto se recusaram a disciplinar o irmão faltoso. A igreja estava ensoberbecida com o pecado, se vangloriando de ser uma comunidade amorosa. Paulo denuncia que aquela postura estava errada. Eles deveriam lamentar o que estava acontecendo. A palavra lamentarsignifica “chorar como se tivesse perdido um ente querido”. É o choro da dor da perda. É triste quando o pecado não produz mais choro na vida de uma igreja local. É feliz e bem-aventurado quem chora o seu pecado e os pecados dos outros: Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados (Mt 5.4). A visão errada do pecado levou a igreja à não aplicar a disciplina. Aquele que vivia em tão escandaloso pecado deveria ser afastado ou tirado da igreja, até que se arrependesse.
A reação de Paulo: ele ordena que a igreja discipline aquele irmão. Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse presente, que o autor de tal infâmia seja, em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor (vv. 3-4). Paulo diz que a disciplina deve ser aplicada sob a autoridade apostólica e da igreja. Tal autoridade procedia de Jesus, por isso devia ser em nome e com o poder de Jesus.
Paulo destaca três razões fundamentais: (1) Promover a recuperação espiritual do disciplinado.Entregue á Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor(v.5). A ideia é que o cristão deve ser afastado da comunhão da igreja, para que por meio da excomunhão ele arrependa-se do seu pecado. A disciplina visa o arrependimento e o benefício espiritual do faltoso. (2) Impedir que o pecado se espalhe na igreja. Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado (vv.6-7). O mau exemplo de um crente é muito nocivo à igreja. Assim como o fermento, o pecado é contagioso e muito influente. Precisamos lutar contra o pecado e a igreja não deve tolerar membros escandalosos e corruptos. (3) Manter a pureza das celebrações e da adoração ao Senhor.Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade (v.8). Jesus morreu para santificar para si um povo zeloso, santo e produtivo. Devemos adorar a Deus em espírito e em verdade, com sinceridade e santidade. O pecado prejudica a adoração do povo de Deus.
Autor: Arival Dias Casimiro

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A pescaria


O evangelho de Lucas tem duas particularidades. A primeira é que nele você encontra a graça de Deus da forma mais ampla alcançando estrangeiros como a viúva de Sarepta e Naamã, o leproso. A segunda é que os eventos não estão necessariamente em ordem cronológica, mas em uma espécie de ordem moral para revelar detalhes de Jesus que faltam aos outros evangelhos.
No capítulo anterior a Palavra de Jesus foi reconhecida como sendo uma palavra de graça, autoridade e poder sobre enfermidades e demônios. Depois de curada a sogra de Pedro passou a servir a Jesus e aos discípulos. Isto mostra que as boas obras são consequência da salvação, e não o contrário. A mesma ordem você encontra agora neste capítulo 5 de Lucas: Pedro crê na Palavra de Jesus, vê o resultado de sua fé, e tem a vida transformada de pescador de peixes a pescador de homens.
A cena diante de nós é de um cardume de pessoas ávidas pela Palavra de Deus, diante de pescadores frustrados lavando suas redes vazias. O barco de Simão Pedro, que nenhuma utilidade teve durante uma noite de pesca infrutífera, é requisitado por Jesus para servir de palco flutuante em sua pregação para a multidão na praia. Mas Jesus não sai dali sem antes recompensar Simão pelo empréstimo do barco:
“Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar. E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede. Quando o fizeram, pegaram tal quantidade de peixe que as redes começaram a rasgar-se. Então fizeram sinais a seus companheiros no outro barco, para que viessem ajudá-lo; e eles vieram e encheram ambos os barcos, a ponto de quase começarem a afundar.” (Lc 5:4-5).
Lições para nós? São muitas. Primeiro, devemos colocar nossos bens à disposição do Senhor, com fez Pedro com seu barco. Segundo, buscar no Senhor a direção para cada passo. Pedro não sabia onde estavam os peixes, mas Jesus sabia onde jogar a rede. Terceiro, não devemos confiar em nossa inteligência e experiência, mas na Palavra de Deus. Pedro, o experiente pescador, acata as instruções de Jesus na hora de pescar. Quarto, não podemos servir ao Senhor sozinhos: Pedro e os que estavam em seu barco chamam outros para ajudá-los.
Diante de tudo isso, Pedro se lança aos pés de Jesus e diz: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador!” (Lc 5:8). Ao mesmo tempo em que Pedro se coloca o mais próximo possível de Jesus, ele se reconhece indigno de ter Jesus próximo de si. Só que ele não sai dali e nem Jesus se afasta. Ao se reconhecer pecador você pode fugir de Jesus ou se agarrar a ele.
Autor: Mario Persona
Fonte: O evangelho em 3 minutos 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012


Ser salvo é ser feliz

Texto Bíblico – Fp 4.4.

  • Ser salvo é ser feliz
    Introdução: – Pesquisas recentes mostram que as pessoas possuem um ponto de estabilização da felicidade, um nível de alegria do qual se retorna, não importa se o indivíduo tenha ganhado na loteria, ou perdido a capacidade de utilizar seus membros. As experiências que muitos acreditam conduzir à felicidade não passam de picos de prazer que logo se dissipam.
    Parafraseando o ditado, podemos dizer que depois da euforia vem o status padrão de contentamento. A neurociência, isto é, a ciência que estudam o funcionamento do sistema nervoso, especialmente do cérebro, está descobrindo que, quando as pessoas falam de felicidade, na verdade estão descrevendo estado de espírito, estão falando de momentos quando se sentem bem, em comparação a outros quando experimentam algum tipo de desconforto.
    Quando a vida de uma pessoa é cheia de boas notícias, e seu estado de espírito mais comum é satisfatório, ela diz que é feliz. Isso significa que as pessoas confundem alegria com felicidade. O problema é que essa tal alegria depende de boas notícias. E isso é uma péssima notícia para quem vive num mundo onde as notícias ruins podem chegar – e chegam – a qualquer momento.
    Filipenses é uma carta escrita para quem deseja experimentar a alegria apesar das notícias ruins. Poucas coisas mobilizam tanto as pessoas quanto a busca da felicidade que, em termos práticos, se resume à alegria. A relevância da fé cristã no mundo contemporâneo pode ser avaliada pela sua capacidade de possibilitar um estilo de vida que resulte em felicidade e alegria.
    Sendo verdadeiro, e assim creio, que as pessoas estão correndo atrás de alegria e felicidade, é urgente que nós, cristãos, nos levantemos a gritar em alto e bom som: “Temos o caminho da alegria, encontramos a trilha da vida feliz”. Ninguém abordou melhor este tema do que Warren Wiersbe, que lê esta Carta aos Filipenses como um roteiro que nos ensina a vencer quatro ladrões de alegria:
    Capítulos              Ladrões de alegria           Atitudes cristãs      Versículos-chave
    Filipenses  1                   Circunstâncias             Visão                             1. 21
    Filipenses  2                         Pessoas                  Serviço                           2. 3
    Filipenses  3                           Coisas                  Valores                           3. 20
    Filipenses  4                    Preocupações           Confiança                          4. 7
    Esses quatro ladrões da alegria serão conhecidos à medida que desenvolvermos o nosso estudo. Antes, porém, vamos conhecer algumas particularidades desta epístola:
    I.   PARTICULARIDADES DA ESPÍSTOLA AOS FILIPENSES.
    1.      Fundo histórico.
    É fato bem conhecido  que  Paulo  escreveu quatro  de suas  epístolas
    quando estava em Roma, por ocasião de seu primeiro aprisionamento – Filemom, Colossenses, Efésios e Filipenses. As referências cruzadas entre elas, já que fazem menção entre si, indicam que as três primeiras pertencem ao mesmo grupo, escritas na mesma ocasião, bem como enviadas ao mesmo tempo, por Tíquico e Onésimo. Já a Epístola aos Filipenses divide as opiniões dos eruditos, quando se tenta descobrir se foi escrita antes ou depois do grupo das três. O Dr. H. C. Thiessen, no seu livro Introdução ao Novo Testamento, relaciona algumas razões que afirmam o ponto de vista de que ela foi escrita depois das outras.
    2.      A cidade de Filipos.
    A cidade de Filipos, hoje apenas um montão de ruínas, tem lugar de destaque tanto na história sacra quanto na secular. – Filipos estava assentada num ponto estratégico da Via Inácia, justamente onde a cadeia montanhosa dos Balcãs, entre o Oriente e o Ocidente, forma uma garganta, ou seja, uma entrada natural que facilita a comunicação entre os dois continentes.  Gozava duma posição privilegiada, fato reconhecido por Filipe da Macedônia e pelo imperador romano Augusto. Por conseguinte, acreditamos que foi por direção do Espírito de Deus que Paulo chegou ali. Se o evangelho devia atravessar os Balcãs, Filipos se apresentava como o meio de mais fácil acesso.
    A cidade recebeu o nome do seu fundador, Filipe da Macedônia, pai de Alexandre Magno.      Ele a construiu para festejar a anexação duma província a seu império, vindo a servir de posição fortificada na fronteira. O rio Gangite passava a oeste, cerca de um quilômetro e meio da cidade.
    O imperador Augusto (Otaviano) elevou a dignidade de Filipos, transformando-a em colônia romana. Assim ela se tornou uma povoação fronteiriça do Império Romano, fazendo lembrar ligeiramente a Cidade Imperial (Roma). Dentre outras vantagens, Filipos gozava da isenção de impostos sobre a terra, chegando a ser elevada a uma dignidade idêntica à do solo sagrado da própria Itália. Seus habitantes podiam orgulhar-se da plena posse de três grandes privilégios dos cidadãos romanos: isenção de flagelação, isenção de prisão (exceto em certos casos) e o direito de apelar diretamente a César.
    3.  A igreja em Filipos.
    A história da fundação da Igreja em Filipos é bem conhecida por todos nós (At 16). Chegando de navio a Neápolis, Paulo e seus companheiros, Silas, Timóteo e Lucas (At 16.10-12), seguiram pela Via Inácia até Filipos, onde havia provavelmente poucos judeus, devido ao caráter militar e colonial do lugar. Não encontrando nenhuma sinagoga onde pudesse entregar sua mensagem.
    Paulo buscou a companhia dum pequeno grupo que se reunia nas margens do Gangite, fora da cidade. Em Filipos ocorreram três conversões típicas: Lídia, a comerciante; a jovem com espírito de adivinhação, escrava de Satanás; e o carcereiro, um suboficial do exército romano.
    Alguns eventos, principalmente a libertação da jovem adivinha, resultaram em feroz perseguição por parte das autoridades, à qual se seguiu uma libertação miraculosa. A perseguição continuou, mesmo quando Paulo foi para Tessalônica. Os convertidos filipenses foram, então, submetidos a uma parcela de conflito e aflição, conforme Paulo relata em 2Co 8.2 e Fp 1,7,28-30.
    Mais tarde, Timóteo e Erasto foram enviados à Macedônia (At 19.22) e, sem dúvida, os irmãos de Filipos devem ter cooperado com voluntariedade, pois deles Paulo dá testemunho de estarem prontos e bem dispostos a atenderem o apelo de socorro em favor dos crentes pobres e necessitados em Jerusalém (2Co 8.1-5).
    No outono de 56 d.C., provavelmente, após uma ausência de cinco anos, o próprio Paulo partiu de Éfeso para visitar suas igrejas européias (At 20.1; 2Co 7.5,6), passando por Filipos rumo à Grécia. Nesta passagem, sem dúvida, os filipenses devem ter tirado grande proveito de sua presença. Alguns meses depois, ele tornou a visitá-los, quando voltava, via Macedônia, rumo a Trôade (At 20.45,6). Vêmo-los, mais tarde, enviando Epafrodito como portador de ofertas voluntárias para socorrer Paulo, que se encontrava numa prisão em Roma (2.25-30; 4.10-18).  –
    Foi por intermédio de Epafrodito que Paulo enviou sua Epístola aos Filipenses. Seu relacionamento com eles era o mais amoroso possível.
    3.      Data e ocasião da epístola.
    A carta foi com certeza escrita em Roma durante os dois anos em que Paulo esteve preso, como o registra Lucas em At 28.3-30. A data seria por volta do ano 61 d.C. Epafrodito fora o emissário dos filipenses, encarregado de passar suas doações às mãos de Paulo (2.25; 4.18).
    Desconsiderando sua própria saúde, no desejo de servir a Paulo ele ficou gravemente enfermo, mas pôde se recuperar por um milagre de Deus (2.27-30). Epafrodito, quando se apresentou a Paulo, estava extremamente desejoso de retornar a Filipos, pois as notícias de sua enfermidade deixaram os irmãos muito aflitos (2.26).
    Paulo, sem dúvida, guiado pelo Espírito Santo e também influenciado parcialmente por notícias de mal entendimento entre alguns irmãos (1.27; 2.2-4,14; 4.2), resolveu enviar a epístola pelas mãos de Epafrodito. A mesma revela a profunda afeição que, de coração, nutria por eles e seu fervoroso anelo pelo bem-estar espiritual dos filipenses.
    II. ANÁLISE DA EPÍSTOLA.
    Consideremos nesta seção as principais características ou, por assim dizer, o conteúdo exclusivo, capaz não só de definir como dar o tom da epístola.
    1.      Não trata de controvérsias – tem caráter pacífico.
    Não havia necessidade de Paulo, como nas cartas aos Gálatas e aos Coríntios, defender sua autoridade apostólica, pois os filipenses eram leais a ele e também à “fé que uma vez foi dada aos santos”(Jd 3). Também afeição que tinham por ele era extraordinária e mais de uma vez o haviam ajudado em suas necessidades (4.10-18). Note que, ao se dirigir a eles, Paulo dispensa o título de “apóstolo” (Fp 1.1; comp. Rm 1.1; 1Co 1.1; Gl 1.1). – Nenhum erro doutrinário dividia a igreja, e nesse aspecto difere das epístolas aos Gálatas, Coríntios e Colossenses, enviadas da mesma prisão.
    Contudo, no capítulo três, Paulo adverte contra o judaísmo e uma possível forma de antinomianismo (grego: anti – “contra”; nomos – “lei”) seria o extremo oposto do legalismo. Mas não há razão para crer que estes erros estavam realmente presentes na igreja. O desejo de Paulo era prevení-los contra tais ensinos antes que efetivamente surgissem.
    2.      Sobejam notas de afeição pessoal.
    Era com prazer e gratidão que Paulo orava pelos filipenses sempre que se lembrava deles (1.3-5). Ele louva a Deus pela comunhão que mantinham com ele no Evangelho (1.7). Não podia negar que sentia reais saudades (1.8). Embora o seu desejo pessoal fosse partir desta vida para estar com Cristo, ele de bom grado abriria mão disso, se Deus o permitisse, a fim de lhes falar mais sobre as coisas espirituais (1.21-26).
    O profundo amor de Paulo por eles se expressa na forma como se dispôs a permitir o regresso de Epafrodito (2.25-30). Também estava disposto a abrir mão da presença de Timóteo para que fosse cuidar deles (2.19-23). Suas dádivas haviam-lhe trazido gozo e alegria à alma, sabendo que eram expressões sinceras de corações cheios de genuína afeição (4.10-18).
    3.      Constitui uma carta pastoral cujo tema é a união.
    Não obstante o vínculo de afeição que a mantinha unida, parece que uma questiúncula, pequena discussão, ameaçava desfigurar a beleza dessa igreja. Surgira uma “raiz de amargura” (Hb 12.15), que, se crescesse, contaminaria naturalmente a muitos. Embora não houvesse rixas por questões de doutrina, o mesmo não se podia dizer quanto a problemas pessoais de relacionamento – talvez um desgaste em função das diferentes demandas do serviço cristão.
    Duas irmãs, Evódia e Síntique (4.2), pioneiras daquele trabalho, são mencionadas como as protagonistas. O sublime capítulo 2 dessa epístola, que fala sobre o sentimento de humildade que houve em Cristo Jesus e exorta cada um a considerar os outros superiores a si mesmo,  ao que tudo indica visava resolver de uma vez por todas qualquer situação que pudesse dividir a igreja. Não que o mal tivesse alcançado proporções muito grandes, mas Paulo não pretende vê-lo crescer, apressando-se em corrigi-lo.
    Com a maior delicadeza, ele indica o perigo, e com a ternura própria de sua natureza cordial, roga-lhes que evitem dissensões e cultivem a mais estreita união cristã. Quanto a ele, ama-o a todos (1.1,4,7,8). Assim os exorta para que permaneçam firmes “num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho”(1.27b). Se quisessem alegrar-lhe o coração, então, afastassem deles todo partidarismo e vanglória e fossem duma só mente duma só união do Espírito Santo (2.1-4).
    Ele os exorta a mostrar em tudo aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o sentimento de abnegação e de verdadeira auto-humilhação (2.5-8). Assim, os convoca a pôr de lado as murmurações e contendas, resplandecendo como luminares de  Deus no mundo de trevas (2.14,15). Que as irmãs responsáveis pela suposta contenda se reconciliem (4.2,3). Que o espírito de submissão mútua substitua suas rivalidades (4.5).  Vamos pois conhecer os quatro ladrões da alegria
    II.                QUATRO LADRÕES DA ALEGRIA
    Alegria apesar das Circunstâncias.
    O poeta Byron escreveu que “os homens são o passatempo das circunstâncias”. De fato, as circunstâncias poderiam ter causado grandes males ao apóstolo Paulo e, especialmente, roubado sua alegria e confiança em Deus, e afetado radicalmente seu estado de ânimo no cumprimento de sua vocação. Ao escrever esta carta, o apóstolo Paulo está, provavelmente, em prisão domiciliar, num período que se estende por dois anos (At 28.30,31).
    As expressões “minhas cadeias” (1.13) e “minhas algemas” (1.14) noticiam que ele está algemado dia e noite aos soldados da guarda pretoriana, a guarda de elite de César, que se revezava em turnos de seis horas. O mais interessante: mesmo confinado, o apóstolo ouve a respeito do movimento ministerial. Fica sabendo que alguns irmãos pregam de boa vontade, com mais ousadia e por amor (1.14), mas também ouve a respeito dos que fazem do ministério motivo de disputas e vaidade, o que poderia trazer grande dano emocional ao apóstolo (1.15-17).
    A atitude do apóstolo Paulo explica porque “as coisas – eu acrescentaria, ruins – que aconteceram” (1.12) ao apóstolo Paulo não roubaram sua alegria. As circunstâncias não são o fator determinante da atitude do cristão diante da vida. Nas piores situações, podemos desfrutar a alegria, que é fruto do Espírito, caso cultivemos uma visão correta da realidade; Primeiro, assim como Paulo não confundiu cadeias e algemas com tribulação (1.17), não devemos dar às situações adversas um status maior do que merecem. São apenas circunstâncias, e não necessariamente motivo de sofrimento.
    Em segundo lugar, devemos vincular todas as nossas circunstâncias a Cristo. Paulo diz que suas cadeias são “em Cristo” (1.13), afirma que Cristo será engrandecido em seu corpo (1.20) e encoraja os cristãos de Filipos a se gloriarem em Cristo (1.26). Nada que nos afeta deve ser vivenciado sem a mediação de Cristo, pois ele mesmo se solidarizou com todas as nossas fraquezas (Hb 4.14-16).
    Finalmente, devemos submeter todas as nossas circunstâncias aos interesses de Cristo. Paulo se alegra que as coisas que lhe aconteceram contribuíram para o progresso do evangelho (1.12), pois Cristo está sendo pregado, e isso é não apenas o que mais lhe importa, mas também o que lhe traz alegria apesar das circunstâncias (1.14,15,17,18). Paulo não vê a si mesmo como um prisioneiro romano mas, sim, como um embaixador de Cristo, em defesa do evangelho (1.16).
    Somente aqueles para os quais “o viver é Cristo” podem experimentar alegria apesar das circunstâncias – ainda que esta circunstância seja a morte, pois, para quem vive em Cristo, a morte é lucro (1 21).
    Alegria apesar das Pessoas.
    A igreja de Filipos convivia com duas ameaças: falsos mestres de fora (3.1-7) e desentendimento de dentro (4.1-3). Pessoas podem roubar nossa alegria com suas atitudes, procedimentos, palavras. Pessoas podem nos ferir tanto com suas ações quanto com suas omissões. E quanto mais nos colocamos acima das pessoas, esperando ser bem tratados, servidos e agraciados por elas, mais riscos de frustração corremos. . Quanto mais nos julgamos merecedores de honras e privilégios, mais expectativas cultivamos em nossos relacionamentos.
    E, sabedores de que a tendência natural das pessoas é pensar em si mesmas antes de pensar nos outros (2.4), é de se esperar que elas estarão sempre em nossa lista de devedores. Relacionamentos truncados, frustrados, e conflituosos serão sempre motivo de tristeza. As pessoas podem roubar nossa alegria, a menos que cultivemos a atitude correta.      As recomendações do apóstolo se dividem em duas partes: Primeiro ele apresenta os princípios: não faça nada com motivações egoístas e vaidosas e busque sempre os interesses dos outros antes dos seus interesses (2.3,4). Em seguida, apresenta três exemplos de pessoas que se ocuparam mais em servir do que ser servidas: Cristo, o maior de todos (2.5-11), Timóteo (2.19-24) e Epafrodito (2.25-29).  Quem deseja experimentar alegria, apesar das pessoas, deve aprender com o apóstolo Paulo a atitude correta nos relacionamentos: o serviço.
    A alegria apesar das coisas.
    “As coisas terrenas” (2.19) que ocupam nossas mentes e corações podem nos causar grandes sofrimentos e roubar nossa alegria. A preocupação em preservar e multiplicar as coisas, tanto as tangíveis, materiais, isto é, tocado, apalpado, quanto as intangíveis, como reputação, prestígio e realizações, pode nos trazer danos emocionais. O apego às coisas erradas é uma das maiores causas de sofrimentos. Jesus disse que onde estiver nosso tesouro, aí estará nosso coração (Mt 6.21). Geralmente, pensamos o contrário. Acreditamos que investimos naquilo que acreditamos.
    Mas Jesus inverte a regra. Insiste que acreditamos naquilo que investimos. Por esta razão, devemos zelar por avaliar – considerar (3.8) – corretamente as coisas que ocupam nossos espaços psico-emocionais.
    Alegria apesar de tudo o que aparenta ser bom –
    Paulo, o apóstolo, faz uma avaliação criteriosa de tudo a que poderia se agarrar e decide que todas as coisas, comparadas a Cristo, não passam de esterco (3.7,8). Na verdade, Paulo mostra que o que realmente tem valor na vida pode se resumir em três grandes desejos: conhecer a Cristo, experimentar o poder de sua ressurreição e participar de seus sofrimentos (3.10).
    Somente aqueles que estão conscientes de sua cidadania celestial (3.20) e olham para a terra do ponto de vista do céu, são capazes de valorizar as coisas certas, aprovar as coisas mais excelentes (1.10) e experimentar alegria apesar das coisas, ou perdas.
    Conforme disse Jim Eliot:
    “Não é tolo aquele que dá o que não po

    Adilson Faria Soares

    de conservar, para ganhar o que não pode perder”.

    Valores corretos, eis mais um segredo para a alegria.