quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A regeneração precede a fé?

O Calvinista R.C. Sproul escreve, “Regeneração não é o fruto ou o resultado da fé. Invés, regeneração precede a fé...


  • A regeneração precede a fé?
    O Calvinista R.C. Sproul escreve,
    “Regeneração não é o fruto ou o resultado da fé. Invés, regeneração precede a fé como a condição necessária para fé” [ênfase no original].[1]
    E de novo Sproul escreve,
    “Qualquer cooperação que nós apresentamos em direção a Deus ocorre somente após a obra de regeneração ter sido completada…Regeneração deve ocorre primeiro, antes que possa haver qualquer resposta positiva em fé” [ênfase no original][2]
    “[Um] ponto principal da teologia Reformada é a máxima: Regeneração precede a fé…Nós não cremos a fim de nascer de novo; nós nascemos de novo a fim de crer”.[3]
    Sproul não é o único Calvinista a ensinar que a Regeneração precede a fé:
    A.W. Pink,
    “O homem escolhe o que está de acordo com a sua natureza e portanto, antes que ele possa escolher ou preferir o que é divino e espiritual, uma nova natureza deve ser comunicada nele; em outras papalvras, ele deve nascer de novo”.[4]
    J. Denham Smith
    “Eu creio em livre-arbítrio; mas então só é livre pra agir de acordo com a natureza…O pecador em sua natureza pecaminosa nunca teria uma vontade de acordo com Deus. Por isso ele deve nascer de novo”.[5]
    Edwin H. Palmer
    “O homem está morto em transgressões e pecados, não somente doente ou ferido, mas, contudo ainda vivo. Não, o não-salvo, o não regenerado, é espiritualmente morto (Ef. 2). Ele é incapaz de pedir ajuda a menos que Deus mude seu coração de pedra por um coração de carne e o faz vivo espiritualmente (Ef. 2.5). então, uma vez que ele é nascido de novo, ele pode, pela primeira vez se voltar pra Jesus, expressando tristeza pelos seus pecados e pedindo pra Jesus o salvar”.[6]
    Loraine Boettner
    “Um homem não é salvo porque ele crê em Cristo; ele crê em Cristo porque ele é salvo”.[7]
    Embora o ensino que a regeneração precede a fé é uma doutrina padrão no Calvinismo, James White, em um debate com Dave Hunt, assumiu uma postura não tão comum. Ele escreve,
    “O erro fundamental que o Sr. Hunt faz nessa seção é confundir regeneração com a totalidade da salvação. A salvação inclui regeneração, perdão, adoção e santificação. Ele, na verdade, vai tão longe ao ponto de perguntar: ‘Como pode o Calvinista ignorar o claro ensino da Escritura que a salvação é por fé e concluir que a fé vem como resultado de ser salvo?’. Tal declaração significa que o Sr. Hunt ou é ignorante sobre os escritos reformados ou não a representa com precisão”. [8]
    Não é assim. Charles Spurgeon escreve que, “um homem que é regenerado…já é salvo”.[9] Jonh MacArthur iguala regeneração/novo nascimento com a salvação.[10] Sproul, citado acima, iguala a regeneração com o ser nascido de novo. E Loraine Boettner, citado acima, escreve: “Um homem não é salvo porque ele crê em Cristo; ele crê em Cristo porque ele é salvo”.[11] Contra White, a doutrina reformada da predestinação implica salvação antes da fé. Se ele for consistente, White teria que concluir que Loraine Boettner, R.C. Sproul, John MacArthur e Charles Spurgeon foram, e são, ou ignorantes acerca dos escritos reformados ou não os representam com precisão. Penso eu que seria pouco provável, uma vez que os teólogos acima estavam expondo as suas próprias crenças. Isto é, quem melhor do que os próprios teólogos reformados para explicar o que a teologia Reformada na verdade é? White não pára por ai, embora em suas observações finais da seção, ele escreve,
    “Primeiro, ele [Dave Hunt] confunde os termos, tais como salvação e regeneração. Na maioria das obras teológicas, regeneração é um subconjunto de de um termo largo e amplo, salvação, que com freqüência inclui dentro dela a justificação, perdão, redenção e adoção”.[12]
    E, como Hunt acertadamente destaca em sua réplica, um ‘subconjunto’ da salvação seria uma parte da salvação (que White reconhece vir por fé), assim, fazendo a regeneração por fé também. A palavra regeneração ocorre somente uma vez na Bíblia, em Tito 3.5. O verso diz:
    “Mas quando se manifestaram a bondade e o amor pelos homens da parte de Deus, nosso Salvador, não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,” (Tito 3:4,5 – NVI).
    Como este é o único uso bíblico da palavra, qualquer teoria que coloca a regeneração antes da salvação, e assim, antes da fé (que é a condição da salvação), está operando a partir de uma definição não-bíblica. Tito deixa isso perfeitamente claro e Spurgeon acertou: salvação e regeneração não podem ser separadas, e um homem sendo regenerado, já está salvo.
    Como a salvação e a regeneração não podem ser separadas, o Calvinista terá que mostrar a partir das Escrituras onde é dito alguém ter sido regenerado/nascido de novo antes de eles terem exercido arrependimento em direção a Deus e fé em Nosso Senhor Jesus Cristo. O que as Escrituras dizem? A regeneração precede a fé ou a fé precede a regeneração?
    “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”. (Marcos 16:15-16 – ACRF)
     “Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus” (João 1:12 – NVI)
     “Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (João 3:15-16 – ACRF)
     “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece”. (João 3:36 – ACRF)
     “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida”. (João 5:24 – ACRF)
     “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; E não quereis vir a mim para terdes vida”. (João 5:39-40 – ACRF)
     “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo”. (João 6:51 – ACRF)
     “Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. … Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim”. (João 6:53-54, 57 – ACRF)
     “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;” (João 11:25 – ACRF)
     “Seja-vos, pois, notório, homens irmãos, que por este se vos anuncia a remissão dos pecados. E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê”. (Atos 13:38-39)
     “E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa”. (Atos 16:31)
     “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego”. (Romanos 1:16)
     “A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação”.  (Romanos 10:9-10)
     “Visto que, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por meio da sabedoria humana, agradou a Deus salvar aqueles que crêem por meio da loucura da pregação”. (1 Coríntios 1:21 – NVI)
     “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam”. (Hebreus 11:6)
    Em cada caso desses, a fé claramente precede a salvação/regeneração/a nova vida em Cristo. Mas, como ser regenerado ou nascido de novo envolve a recepção do Santo Espírito, a questão deve ser levantada: O Espírito Santo desperta o espiritualmente morto antes ou depois que eles creram? Novamente, as Escrituras são claras:
     “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado”.  (João 7:38-39)
     “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;”  (Atos 2:38)
     “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito”. (Gálatas 3:13-14)
     “E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai”. (Gálatas 4:6)
     “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória”. (Efésios 1:13-14)
    Como as Escrituras deixam perfeitamente claro, receber o Santo Espírito vem após a fé. O Calvinista James White não duvidaria objetar os versos acima sendo usados em apoio a crença que a fé precede a regeneração, justamente como ele fez em seu debate com Dave Hunt. Sua objeção estava baseada sobre a declaração que os versos somente provam que a salvação é por fé, e não a regeneração. Mas, como foi destacado acima, de acordo com a Bíblia, salvação e regeneração são inseparáveis, e assim, um homem regenerado é um homem salvo. Portanto, a objeção de White está baseada sobre seu funcionamento de uma definição não-bíblica de regeneração.
    Em adição as Escrituras acima, há também as vidas de dois homens que refutam a idéia de que a regeneração precede a fé: Nicodemus (João 3) e Conélio (Atos 10). Nicodemus era 1) um Fariseu (João 3.1), 2) Chefe de Estado entre os judeus (João 3.1), e 3) um ensinador em Israel (João 3.10). De acordo com os primeiros versos do capítulo 3 de João, Nicodemus veio a Jesus a noite e disse que sabia que Jesus era de Deus. Perceba que Nicodemus não confessa crer que Jesus é o Messias Prometido; ele apenas confessa crer que Jesus é de Deus. E a maneira que Jesus respondeu a Nicodemus, na superfície, não parece ter nada a ver com o que realmente Nicodemus disse. Nicodemus começou dizendo que ele sabia que Jesus era de Deus, e Jesus respondeu dizendo a ele o que era necessário para entrar no Reino de Deus. Mas, como destaca John MacArthur, Jesus não estava respondendo ao que Nicodemus disse, mas estava respondendo ao que Ele sabia que estava no coração de Nicodemus:
    Mas, olhe o verso 3, “E Jesus respondeu…” É interesante que Jesus responde uma questão que Nicodemus nem mesmo perguntou. E aqui você tem uma prova que esse é o Messias porque Ele lê o coração de Nicodemus e não se importa com o que Nicodemus diz com a boca. Verso 3 “Jesus respondeu e disse: Em verdade, em verdade te digo, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus”.
    Alguém diz, “Bem, o que o Reino de Deus tem a ver com alguma coisa? Quem está falando sobre o Reino de Deus?” Ninguém estava falando sobre isso, mas advinha quem estava pensando sobre isso? Você vê, havia apenas uma coisa na mente de Nicodemus, a mesma velha coisa que estava na mente de todos os outros judeus: como entrar no Reino de Deus? Ele olhou atrás para o Antigo Testamento e viu o Reino prometido.
    O homem, toda a luta de sua vida era ser parte do Reino. E quando a Bíblia usa o termo “Reino de Deus” que é diferente de “Reino dos Céus”, quando a Bíblia usa o termo “Reino de Deus” se refere ao domínio de Deus. Isso é realmente a esfera da salvação em qualquer tempo. Em outras palavras, eu, mesmo agora como cristão, sou parte do Reino de Deus. O Reino de Deus terá um aspecto milenial, quando Cristo reinar na terra por mil anos. Esse será uma parte do Reino de Deus. O Reino de Deus tem um significado eterno, contextual…a eternidade será o Reino de Deus. Toda a esfera da salvação em qualquer tempo na história é o Reino de Deus. Ele tem um aspecto agora, um aspecto milenial e um aspecto no estado eterno.
    E então, Nicodemus em seu coração, ele queria saber como chegar a Deus. Isso é o que ele queria saber. Como ser uma parte do mundo de Deus, como ser parte da esfera do homem redimido, como ser uma parte daqueles que são santos, que pode estar com Deus e viver com Deus e habitar em seu Reino. Isso é o que estava em seu coração. Ouça, ele não estava todo enrolado nessa religião apenas para o exercício. Ele estava nela porque ele estava buscando o Reino de Deus apaixonadamente.
    E Jesus o respondeu, não a questão de sua boca, mas a questão do seu coração. Nicodemus nunca chegou a colocar a questão em palavras. Mas Ele diz, “Nicodemus, você tem que nascer de novo. Nascer de novo…o que você quer dizer? Eu quero dizer, você tem que começar tudo de novo, Nicodemus”.[13]
    A razão que esse relato da vinda de Nicodemus a Jesus refuta a noção calvinista de regeneração precedendo a fé é que no sistema Calvinista, não apenas a regeneração precede a fé, mas a regeneração também precede a busca da pessoa por Deus. Mas aqui em João 3, Nicodemus está claramente procurando, mas ainda como um não-regenerado.
    A segunda pessoa que refuta o Calvinismo é Cornélio no capítulo 10 de Atos. No verso 2 de Atos capítulo 10, nós lemos que Cornélio era “um homem devoto e temente a Deus com toda a sua casa…e continuamente orava a Deus”. Daí, nós lemos 1) As orações de Cornélio sendo reconhecidas por Deus, 2) um anjo de Deus mandando Cornélio enviar alguém a Pedro, 3) finalmente Pedro chegando, 4) Pedro pregando as Boas Novas a Cornélio e sua casa, e 5) nós lemos o Espírito Santo caindo sobre todos os que ouviram a Palavra. Agora, como a Bíblia deixa claro que um homem regenerado é um homem salvo (Tito 3.4,5), é igualmente claro que Cornélio não era regenerado até o Espírito Santo cair sobre ele. Mas, se ele não era regenerado até o fim do capítulo dez, então como, de acordo com o sistema Calvinista, Cornélio poderia ter sido um homem devoto que temia a Deus? Como ele poderia ter buscado a Deus sendo ainda não-regenerado? De acordo com o sistema Calvinista, ele não teria sido capaz de fazer isso, mas, de acordo com a Bíblia, ele fez. Assim, nós vemos nesse ponto que o Calvinismo não tem fundamento bíblico: não há um verso na Escritura que inequivocamente declara que o homem deve nascer de novo, ou ser regenerado, ou receber o Espírito Santo antes que ele possa ter fé em Cristo, nenhum. Até mesmo o Calvinista Charles Spurgeon viu a insensatez de ensinar que a regeneração precede a fé:
    “Se estou a pregar a fé em Cristo a um homem que é regenerado, então o homem sendo regenerado, já é salvo e isso é uma coisa desnecessária e ridícula para mim pregar Cristo a ele, e tentar fazer ele acreditar a fim de ser salvo quando ele já salvo, sendo regenerado. Mas você vai me dizer que eu deveria pregar apenas para aqueles que se arrependem de seus pecados. Muito bem, mas desde que o verdadeiro arrependimento do pecado é a obra do Espírito, qualquer homem que tenha arrependimento é certamente salvo, porque o arrependimento evangélico nunca pode existir em uma alma não renovada. Onde há arrependimento já há a fé, pois eles nunca podem ser separados. Assim, então, eu estou somente a pregar a fé para aqueles que já a tem. De fato absurdo! Esta não é a espera do homem ser curado e em seguida trazer-lhe o remédio? Esta é a pregação de Cristo aos justo e não aos pecadores”.[14]
    Recuperado de: http://counteringcalvinism.wordpress.com/2011/06/26/does-regeneration-precede-faith/
    Traduzido por Walson Sales

    [1] R.C. Sproul, Essential Truths of the Christian Faith, (Tyndale House Publishers Inc., Wheaton, IL, 1992), p. 172.
    [2] Sproul, What Is Reformed Theology? (Baker Books, 1997), p. 186.
    [3] Sproul, Chosen By God, pp. 72-73, as quoted in Whosoever Will: A Biblical-Theological Critique of Five-Point Calvinism, (B&H Academic, Nashville, Tennessee, 2010), p. 136.
    [4] A.W. Pink, The Sovereignty of God, (Bridge-Logos,Alachua,FL, 2008), p. 138.
    [5] J. Denham Smith, quoted in Pink, The Sovereignty of God, p. 151.
    [6] Palmer, The Five Points of Calvinism, p. 19.
    [7] Loraine Boettner, The Reformed Doctrine of Predestination, p. 101.
    [8] James White, in Debating Calvinism, p. 293.
    [9] Charles Spurgeon, The Warrant of Faith, disponível online em (<http://www.spurgeon.org/sermons/0531.htm>), URL correct at 20th May, 2011.
    [10] John MacArthur, The New Birth, 19th April, 1970. disponível online em (<http://www.gty.org/Resources/Sermons/1505B_The-New-Birth>), URL correct at 30th May, 2011.
    [11] Loraine Boettner, The Reformed Doctrine of Predestination, p. 101.
    [12] White, Debating Calvinism, p. 305.
    [13] John MacArthur, The New Birth, 19th April, 1970. disponível online em (<http://www.gty.org/Resources/Sermons/1505B_The-New-Birth>), URL correct at 30th May, 2011.
    [14] Charles Spurgeon, Sermon: The Warrant of Faith, disponível online em (<http://www.spurgeon.org/sermons/0531.htm>) URL correct at 20th May, 2011.

    Flávyo Henrique

    quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

    Como Entrar no Céu?


    Como Entrar no Céu
    Como Entrar no Céu
    “Se a nossa esperança se limita apenas em coisas dessa terra,
    somos os mais miseráveis de todos os homens!”  
     O céu existe? Onde será o céu? Como é o céu?
    Essa é a minha pregação predileta! O assunto até parece bobo demais para alguns. Mas, é o tema mais sério da Bíblia. É tão sério que os homens vivem complicando as perguntas acima. Mas, há uma outra pergunta que gostaria de aproveitar e fazer também sobre esse lugar: Como entrar no céu?
    Durante milhares de séculos a humanidade busca respostas para a criação e o fim dos tempos. A ciência vem se multiplicando a cada tempo, cada dia uma novidade surge sobre a comunicação veloz ou uma nova fórmula química para curar doenças. O céu, porém continua sendo um forte mistério para alguns.
    A teologia, ciência que estuda a pessoa de Deus, tem feito a sua parte para explicar a existência desse lugar, assim como sua geografia e sua história através do estudo aplicado do Livro de Apocalipse. Esse conhecimento, no entanto, depende da FÉ em Deus e no seu Filho e não em experiências, técnicas e sabedoria humana.
    Na religião, as várias doutrinas sobre Deus, céu e inferno continuam disputando razões entre si para dar à humanidade a resposta mais certa sobre o assunto.
    João, através de uma revelação sobre o céu, escreveu para nós:
    “… Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim, grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês escreve em livro e manda às sete igrejas: Éfeso, ESMIRNA, Pérgamo, Tiatira, Sardes, FILADÉLFIA e Laodicéia. (As igrejas que foram aprovadas pelo SENHOR foram Esrmirna e Filadélfia. Mas, não é o interesse aqui falar escatologicamente das igrejas da Ásia no Apocalipse).
    Um dos seres humanos fora escolhido sobrenaturalmente para ver um pouco das coisas celestiais e escrever sobre isso para nós. Certamente que o Deus Todo Poderoso quer que seus filhos conheçam a sua nova morada.
    “Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povo de Deus e Deus mesmo estará com eles” (Apoc. 21:3).
    Pelo que João nos escreveu, o céu é povoado de seres vivos, eles estão lá, foram criados no céu, e, vivem lá com as atividades que lhes foram atribuídas. Lá existe uma cidade maravilhosa, uma cidade santa, a Nova Jerusalém do céu. Você quer morar lá? Claro que sim! O Senhor está nos convidando para viver com Ele!
    Mas, como entrar nesse lugar tão misterioso para alguns?
    Certamente que o ingresso para entrar no céu é diferente dos ingressos que compramos aqui na terra para ter direito de entrada aos lugares. Lá o seu título, carteirinha ou credencial não lhes darão o acesso que aqui na terra se tem ao mostrar nos portões dos clubes, casas noturnas e prédios que exijem tais autorizações. Não precisa pagar nada para entrar no céu! JESUS JÁ PAGOU TUDO!
    O céu existe. Lá é a moradia do Deus Altíssimo. As portas de sua cidade são de pérolas e a praça da cidade é de ouro puro, como vidro transparente.
    Aqui na terra, o desejo dos que tem posses é conhecer cidades maravilhosas como Paris, Miami, Hawai ou a cidade de Bali, nos Emirados Árabes, dentre outras. Muitas pessoas conseguem ir até esses lugares com os seus próprios meios e através disso, desfrutarem das maravilhas e facilidades que estes lugares oferecem. Não tem nada de errado nisso! Afinal, quem não gosta de um sol de verão ou de uma noite bela e iluminada como as luzes dessas cidades fantásticas que existem pelos continentes da terra! Porém, com relação à Nova Jerusalém, há uma grande diferença: essas cidades, não são eternas, e nelas não habita a Glória de Deus como acontece com a Cidade Santa da Nova Jerusalém Celestial.
    Viaje comigo: Na Nova Jerusalém encerra-se a confusão da religião. Lá, não há santuário algum mais, porque o seu santuário é o SENHOR! (Apoc. 21:22). A engenharia do céu é absolutamente incomparável e suas medidas são perfeitas! (Apoc.21:15). Sua arquitetura e urbanismo são inigualáveis! (Apoc. 22:1-2). É uma cidade que ninguém nunca mais reclamará das políticas de saúde pública, pois lá no céu as universidades já não mais formarão médicos clínicos, psquiatras ou psicólogos e nem enfermeiros porque ninguém nunca mais estará enfermo ali! Glória a Deus!
    “… Então me mostrou o Rio da Água da Vida, brilhante e cristalina, que sai do trono de Deus e do Cordeiro. No meio de sua praça, de uma a outra margem do rio, está a Árvore da Vida, que possui doze frutos de mês em mês, e as folhas da árvore são para a cura dos povos (Apoc. 22:1-2).
    No céu, não haverá mais necessidade de tribunais de pequenas causas, nem de grandes Fóruns. Lá não é lugar de choro. Não haverá injustiça para chorar porque Deus, o Sol da Justica, enxugará dos olhos toda lágrima!
    “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem dor, nem pranto, porque essas coisas são passadas (Apoc. 21:4).
    E também há algo que muitos, sem ler a Bíblia, ainda perguntam: Então, o que as pessoas farão no céu afinal? Ora, o universo é muito grande, não há como medir a sua extensão cheio de surpresas maravilhosas para todos os que lá desejarem entrar. É o único lugar que eu sei que existe seres extraterrestres: os anjos. Se eles têm muitas atividades nós também as teremos. O Rei de lá é muito sábio e hospitaleiro e justo. Não haverá mais reclamação de salário em nenhum sindicato. Trabalho escravo nunca mais. Adeus escravidão. Os voluntários de lá, enfim, receberão os seus justos contra-cheques celestiais.
    “Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão” (Apoc. 22:3).
    COMO ENTRAR NO CÉU?
    Agora desejo finalizar com a resposta do titulo desse estudo. Como entrar no céu?
    Nem todos querem entrar no céu. Alguns vão ficar de fora. Isso é triste, mais é uma escolha pessoal.
    “Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira.’ (Apoc. 22:15)
    Certa vez, quando eu servia ainda como músico, levita, estava na escadaria da igreja onde congregava, esperando o culto iniciar, quando um rapaz chegou e me parou para perguntar sobre um serviço de pintura de uma das salas da igreja. No meio da conversa ele me disse que NUNCA havia entrado numa igreja protestante. Eu questionei o motivo daquilo e ele me respondeu que era porque ninguém jamais o havia convidado para entrar na igreja. Eu (particularmente) morri de vergonha naquela hora! No mesmo instante o Espírito de Deus me levou a falar sobre a entrada no céu em vez de entrar somente na igreja. Ali, naquela escada em 5 minutos de diálogo a vida daquele moço mudou para sempre! Mais importante que entrar na igreja e mais importante que o serviço de pintura lá dentro, foi a decisão daquele jovem de entrar no céu, através de uma humilde oração ao invocar a Jesus, a Porta, O Caminho, A verdade e A Vida.
    Para entrar no céu é necessário passar por um ÚNICO caminho e ter acesso a uma ÚNICA porta que conduz diretamente ao PAI. Não dá para ter atalhos, nem “jeitinhos” doutrinários de leis, políticas, religião, ciência ou economia”.
    Para entrar no céu é necessário lavar as vestiduras no Sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à arvore da vida, e entrem na cidade pelas portas. (Apoc. 22:14).
    Você pode ser até um excelente profissional, um temido comandante, um grande cientista, filósofo, artista, padre, pastor ou cantor. Você pode ser membro de uma família renomada na terra, possuir muitos bens e influência em sua cidade. Você pode até ser muito conhecido e ter muita fama, muito sucesso. Pode ser o melhor marido; a melhor esposa; o melhor pai do planeta ou a melhor mãe da terra. Pode ser a pessoa mais gentil do universo… Isso tudo é interessante, mas só isso não paga o ingresso para entrar no céu.
    NADA, NENHUM OUTRO NOME SUBSTITUI O PREÇO QUE JESUS PAGOU PARA QUE TODOS NÓS ENTREMOS NO CÉU!
    Não existe padrinho, nem madrinha, nem clientelismo, nem parentesco, membresia de igreja, nem carimbo alheio que dê outro jeito.
    Para entrar no céu, só através da Fé no sacrifício que fez JESUS na CRUZ!
    Você pode estar até meneando negativamente a cabeça nesta hora, mas não adianta querer refutar essa verdade. Crendo ou não crendo, isso não mudará a Escrituras sobre JESUS, nem a Glória de Deus lá no céu! Eles já fizeram a parte Deles para que você não sofresse com mais nenhuma dúvida.
    Os planetas que Deus sustenta com as suas mãos, um dia não mais existirão. Será a hora de se mudar-se para o céu e você já sabe como entrar lá desde agora! A decisão de ser salvo não é na hora do fim. É hoje, antes que seja tarde demais! Você não vai ficar de fora dessa, né? Para entrar no céu é necessário humildade para querer aprender a meditar na Palavra de Deus.
    “… E, acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” (Atos 2:21)
    Não se deixe enganar amigo! Dizem que todos os caminhos levam a Deus, isso até que tem um tempero de verdade, mas quando chegar lá, uns serão separados para a direita (vida eterna com Cristo) e outros para a esquerda (a morte eterna).
    Talvez você já tenha ouvido muitas palavras de maldições contra você. Assim, quem sabe você até foi levado a crer que exista o inferno, mas não o céu. ESQUEÇA! Hoje quero te dar uma palavra de bênção: VÁ PARA O… CÉU!!!!!
    Um dia quero ver você lá! Agora, não temos mais dúvidas!! Você já sabe como entrar no céu!
    Paz de Cristo,
    Convites: claudinho.adore@hotmail.com
    Twitter: @MinisterioAdore

    Cláudio Santos

    segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

    O triunfo na tribulação – parte final


    Ao justo nasce luz nas trevas” (Sl. 112:4 a)


  • O triunfo na tribulação – parte final
    Recapitulando a parte I deste estudo…
    No capítulo anterior vimos que muitos sofrimentos passaram os profetas e salmistas antes de nós. No meio da dor, movidos pelo Espírito de Deus, muitas coisas foram escritas por eles até chegarem os maravilhosos ensinos da Palavra de Deus para nós.
    Vimos que, na hora da alegria é mais fácil adorar a Deus, no entanto, nas horas da tribulação não é tão fácil assim, mas é necessário. Daniel nos ensinou que é possível servir a Deus no meio da angústia e até diante da morte por meio da fé. A fé que vence o mundo!
    Foi no meio das turbulências que Daniel conheceu ainda mais o poder do Altíssimo. Vimos que foi ai que ele cresceu espiritualmente e, foi assim que Deus o honrou em sua carreira como servidor do Palácio do rei Nabucodonosor.
    Não adianta se esconder no meio da guerra. Você será alvo fácil do inimigo! Confie no poder de Deus. É hora construir trincheiras, preparar-se para a guerra e enfrentar a vida como verdadeiros cristãos e adoradores! POR ISSO TOME A SUA CRUZ E SIGA A JESUS!!!!
    Cada um fique na vocação em que foi chamado. (1 Coríntios 7:20)
    Construindo na Tribulação
    Você já parou para contar quantas músicas de adoradores no Brasil falam de um cantor lutando, lutando e lutando para iniciar ou mesmo começar um trabalho para Jesus? Enfermidades, finanças, tempo, solidão, competições, perseguições, etc. São histórias de tribulações em seus ministérios. Fazem nos lembrar dos salmistas.
    Você já percebeu que algumas músicas falam até mesmo de perseguições contra as palavras de derrotas que foram lançadas diante seus ministérios? Tipo, “Não vou desistir”; “Não é o fim” ou “Me disseram que eu não podia”, etc. Parece incrível, mas é comum ver que muitos cristãos torcem pelo fracasso de um projeto de um outro cristão como por exemplo lançamento de um CD ou gravação de um DVD ou outros projetos ministeriais dentro de nossas próprias igrejas!
    São tribulações cantadas, por cima de tribulações. Essas músicas sempre falam de choro e de muitas lutas, porém concluem construindo o trabalho com a vitória do SENHOR! Deus honra a sua fé! Mas, Se você desistir do reino de Deus para pular na cova dos derrotados, é porque você não conhece o Pai que você tem no céu!
    Foi com a ajuda de Deus que Neemias foi um homem que reconstruiu os muros de sua cidade com a ajuda de quase toda a comunidade. Falo quase todos porque havia gente como Tobias e Sambalá, os quais articulavam pelo fracasso da construção dos muros.
    Neemias venceu. Daniel também! Assim como Daniel venceu, você também vencerá! Não desanime! Nem desista de orar, louvar e adorar. Nem deixe a sua fé ser apagada por nada e ninguém! Como Deus foi com Daniel, assim será com você! CREIA! Todo adorador passa por momentos difíceis, passa por momentos de tribulação. Mas, vimos de fato que nada pôde calar a voz de Daniel.
    O rei Nabucodonosor e os assediadores de Daniel só esqueceram uma coisa: Lá naquela cova dos leões, havia também o Maior de todos os leões, o Leão dos leões; o Leão de tribo de Judá! O Libertador; o Livramento (JESUS) estava por perto!!
    Talvez você esteja se sentindo num beco sem saída ou mesmo numa cova, sem forças ou liberdade para louvar e adorar. Lembre-se: quando estamos no fundo de um poço, Deus não se esqueceu de nós, nem nos desamparará jamais!
    O apóstolo Paulo não vivia “debaixo das maldições da Lei”, etc., mas foi um dos homens mais atribulados de seu tempo. Ele desistiu do reino de Cristo? NÃO! Paulo via debaixo da Graça de Cristo. Um dia Deus permitiu que Paulo ficasse na prisão! Ora, aquele apóstolo na prisão seria um DESPERDÍCIO para o evangelho! Que Deus é esse? Calma. Foi na prisão que o Espírito de Deus moveu Paulo a escrever para nós! Se ele não tivesse na prisão não teria tempo para ensinar tanta coisa para a igreja de Cristo de todos os tempos.
    Quando eu sofri um acidente no mar, há alguns anos, tive que experimentar a surdez temporária por cerca de 180 dias. Nesse tempo eu não pude desenvolver o ministério de música na igreja local, nem no reino de Cristo. Logo que venci essa tribulação, tive que enfrentar a guerra de lutar contra duas pregas vocais. Foram mais 180 dias de lutas sem poder usar a voz para pregar ou cantar. Precisei apenas de Fé para continuar a jornada. EM CRISTO, EU SABIA QUE ALI NÃO ERA O FIM!
    “Ao justo nasce luz nas trevas” (Sl. 112:4 a)
    Deus quer que confrontemos a nossa fé! Será que confiamos mesmo Nele como Daniel confiou? É hora de confrontarmos o “Nabucodonosor” que existe dentro de nós mesmos!
    Às vezes somos nós mesmos que nos lançamos em covas e calabouços e de lá nunca mais queremos sair!
    É uma forma do ser humano também chamar a atenção para si. Nesses casos, quanto mais vítima você achar que é de uma turbulência, menos força encontrará na sua alma para vencer a densidade de um problema.
    Deus quer pilotar a sua vida agora mesmo. Ele quer forjá-lo para ser um grande guerreiro Dele em qualquer situação. Assim, como Daniel, depois que você passar pelo teste de uma cova ou fornalha, você poderá reinar e governar sobre a tribulação. E, de repente você reconhece que essa é a prova para que você consiga aquela ‘bênção’ na família ou de uma promoção no trabalho, quem sabe consiga fechar ‘aquele’ negócio que tanto você ora? No final, Ele te dará a vitória, amém? Mas, isso é de fé em fé, e de glória em glória, precisamos ser totalmente dependentes e carentes da graça de Cristo para sempre!
    QUANDO O SENHOR TE APROVAR, NÃO O ESQUEÇA, NEM TENHA A VERGONHA DE LOUVÁ-LO COM ABUNDÂNCIA DE ALEGRIA, Amém?
    A todos os guerreiros e guerreiras de Cristo, um recado final: Aguenta firme! Tenha fé! Isso vai passar e, logo chegará a VITÓRIA em nome de JESUS!!!!!!
    Até uma próxima, valentes do SENHOR!

    Fonte:  Gospel Prime

    domingo, 13 de janeiro de 2013

    O que é livre-arbítrio? (conceito e definições)

    Dt 30.19-20
    19 O céu e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência,
    20 amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz, e te apegando a ele; pois ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; e para que habites na terra que o Senhor prometeu com juramento a teus pais, a Abraão, a Isaque e a Jacó, que lhes havia de dar.
    Js 24.15
    15 Mas, se vos parece mal o servirdes ao Senhor, escolhei hoje a quem haveis de servir; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do Rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.
    Hb 3
    12 Vede, irmãos, que nunca se ache em qualquer de vós um perverso coração de incredulidade, para se apartar do Deus vivo;
    13 antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado;
    14 porque nos temos tornado participantes de Cristo, se é que guardamos firme até o fim a nossa confiança inicial;
    15 enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação;
    Jo 5. 39-40
    39 Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim;
    40 mas não quereis vir a mim para terdes vida!
    Ap 22
    17 E o Espírito e a noiva dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, receba de graça a água da vida.
    Definições.
    Livre-arbítrio 1 (conceito geral)
    Imediatamente vem a idéia a mente de “poder decidir livremente” sobre determinado assunto, coisa, evento, sentimento, de maneira isenta, livre de causação externa ou interna ou de forças extrínsecas a nós mesmos. De outro modo, no senso comum, livre-arbítrio seria a capacidade de decidir de maneira totalmente isenta, sem levar em conta estado ou necessidade, capacidade e poder de decidir.
    Isto, ou algo próximo, é o que vem a nossa mente, quando ouvimos a expressão livre-arbítrio.
    Segundo o Wikipedia “Livre-arbítrio [é] a expressão usada para significar a vontade livre de escolha, as decisões livres.”
    É importante notar, antes de qualquer análise, que a idéia central do livre-arbítrio é poder decidir por si mesmo, ter liberdade de decidir e ser responsável pela decisão (Rm 14.12). Tomamos as mais diversas decisões durante um dia de nossas vidas, como a que horas vamos acordar, dormir, se tomaremos café, o que comeremos no café, a roupa que iremos vestir, o caminho que tomaremos para ir ao trabalho e tantas outras decisões são tomadas em um único dia. (ex: Você livremente decidiu ler este artigo)
    Livre-arbítrio 2. (conceito específico, aplicação bíblica)
    É a “capacidade de escolha contrária”, de escolher em oposição.
    Mesmo em determinada situação somos capazes de nos decidir, tomando como base o nosso próprio intelecto, sem desconsiderar as forças e causas interiores e exteriores, considerando ainda as nossas necessidades no momento. Por exemplo, alguém lhe oferece uma comida muito ruim, que você realmente não gosta, o que lhe vem à mente é que a proposta será rejeitada, mas isto leva em conta seu estado momentâneo, neste instante, saciado, isto é, sem fome, mas em uma situação adversa ou de extrema necessidade, talvez a sua decisão “seria” comer a refeição indigesta, ou poderia ainda rejeitá-la, não sabemos.
    O que queremos destacar é que o estado momentâneo de necessidade pode influenciar diretamente em sua decisão, assim como as influências internalizadas ao longo da vida, educação, convívio social, necessidades fisiológicas (fome, frio), estados emocionais, tudo isto pode determinar, ou pelo menos, influenciar as decisões.
    A capacidade de escolha contrária é manifestada na Bíblia em versículos como:
    “Digo, porém: Andai pelo Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne. Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis.” Gl 5.16, Rm 6.12-13; Rm 8.1,4,12
    “Amados, exorto-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências da carne, as quais combatem contra a alma;” I Pe 2.11
    Nestes textos fica claro a exigida negação de nós mesmos contrariando nossos sentidos, desejos e vontades, necessidades da carne em favor de um crescimento espiritual, um bem maior, Espiritual.
    “E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.” Mt 10.38
    “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me; pois, quem quiser salvar a sua vida por amor de mim perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.” Mt 15.24-25
    Se analisarmos bem, o próprio convite/anúncio do evangelho é para negação de si mesmo, do eu, que nada mais é que uma escolha contrária a nossa natureza carnal, a lei dos nossos sentidos (Rm 7.18-23).
    Mas e quanto à salvação individual, como fica o livre-arbítrio? O homem não está morto em delitos e pecados, como pode decidir? O homem pode escolher livremente a salvação?
    Livre-arbítrio 1 – capacidade de escolher livremente, de forma isenta, em relação à salvação individual, estado espiritual e as coisas boas, boas obras de Deus.
    Este conceito era o defendido por Pelágio e seus seguidores e combatido por Agostinho, em que o homem seria capaz, de por si mesmo, por sua força ou inteligência conhecer a Deus, encontrar a salvação, permanecer puro, sem pecar. Que o “pecado original” de Adão trazia conseqüências apenas para ele mesmo, e mais a frente de forma amenizada, que e a corrupção não destituiu o homem totalmente de tal capacidade (semi-pelagianismo), mas havendo apenas uma propensão para o mal e não uma corrupção de sua natureza. O homem não estaria totalmente morto, incapaz, para os pelaginaos, não nasce morto espiritualmente, o pecado posterior é que o mata, separa, contudo, pode viver, livremente, com ou sem o auxílio da Graça, sem pecar.
    Algumas citações sobre Pelágio:
    “Contudo, esta relutância não pôde impedir que Pelágio entrasse em cena, cuja profana invenção foi haver Adão pecado tão-somente para seu próprio dano, mas que aos descendentes nada afetou. Naturalmente, com esta artimanha de encobrir a enfermidade, Satanás tentou torná-la incurável.” (Calvino, Institutas 2, pg 20)
    “…Pelágio ensinava que os seres humanos podem de fato, simplesmente, decidir obedecer a Deus o tempo todo e nunca pecar deliberada e dolosamente.” (Roger Olson, História da teologia cristã, pg 272)
    “O mal não nasce conosco e somos procriados sem culpa” (Pelágio, livro “Do Livre-arbítrio”, citado por Olson em História da teologia cristã, pg 273)
    “Eu disse de fato que um homem pode ficar isento do pecado e seguir os mandamentos de Deus, se assim desejar; essa capacidade, pois, lhe foi outorgada por Deus. No entanto, não declarei que existe um homem que nunca tenha pecado desde a infância até a velhice, mas que, ao ser convertido de seus pecados, pode permanecer isento do pecado por seus próprios esforços e pela Graça de Deus, embora, mesmo assim, seja capaz de mudar no futuro.” (Pelágio, Sínodo de Dióspolis, citado por Olson, Ibid, pg 274)
    Por óbvio que tal aplicação não é possível, não há um homem que não tenha pecado, segundo as Escrituras, e mesmo regenerado, que não cometa pecado.
    Rm 3
    10 como está escrito: Não há justo, nem sequer um.
    11 Não há quem entenda; não há quem busque a Deus.
    12 Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.
    23 Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;
    O homem nasce morto espiritualmente, separado de Deus
    “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram.“ Rm 5.12
    “Eis que eu nasci em iniqüidade, e em pecado me concedeu minha mãe.” Sl 51.5
    “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está… mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros.” Rm 7.18 e 23
    “entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais.” Ef 2.3
    “Portanto digo isto, e testifico no Senhor, para que não mais andeis como andam os gentios, na verdade da sua mente, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração;” Ef 4.17e 18
    Muitos outros versículos poderiam ser citados para demonstrar o quanto o homem esta separado de Deus e de Sua vontade Santa. Rm 12.2
    Este conceito, de decidir livremente, sem considerar estado ou necessidade, e sem levar em conta forças externas é a idéia primeira do livre-arbítrio, e aqui tenho que admitir, que nem mesmo para o cotidiano podemos considerar verdadeira, isto é, nos considerar totalmente livres para decidir, isto porque em nossas escolhas levamos em conta vários fatores, exemplo: você vai à praia com short de banho e camiseta, mas não vai ao seu trabalho assim, o meio determina no seu subconsciente a melhor opção para o momento, a decisão da roupa é livre, em certo ponto, mas não é livre das condições externas, do meio social.
    O mesmo raciocínio podemos aplicar para as mais diversas respostas, como tom de voz que usamos, corte de cabelo, tudo determinado por idéias, normalmente externas a nós mesmos, “o homem é um ser social”(Aristóteles), até determinado ponto “produto do meio” (Karl Marx) e seu subconsciente age assim naturalmente, como se fosse de fato livre, mas na realidade ele expressa as condições, limitações imposto pelo contexto que vive.
    Outro exemplo, você acredita que se tivesse nascido no continente Africano, em uma remota tribo, estaria vestindo roupas semelhantes as que usa, agora mesmo? Então, como suas escolhas podem ser ditas livres, de fatores ou agentes externos? Imagine tal conceito aplicado ao criador. Como podemos tomar decisões livre da influência de forças espirituais, estado emocional, meio? Pelágio e seus seguidores estavam errados, com absoluta certeza.
    Este conceito pelagiano de livre-arbítrio (errôneo conceito bíblico) da liberdade que Deus dá, concede aos homens, ou o que restou de possibilidade ao homem decaído, carente da graça de Deus (Rm 3.23), foi combatido ao longo da história, por mentes de destaque no cenário teológico em suas respectivas épocas, como Agostinho, Lutero, Calvino e Jonathan Edwards, todos estes adeptos do Calvinismo (que crêem na predestinação – como uma escolha de Deus de indivíduos para serem salvos, e rejeição dos demais, sem qualquer motivo conhecido).
    Nas palavras de Calvino:
    “Chamamos predestinação ao eterno decreto de Deus pelo qual ele determinou consigo mesmo aquilo que ele quis que ocorresse a cada ser humano. A vida eterna é preordenada para alguns e a perdição eterna para outros, falando deles como predestinados para a vida ou para a morte”. (Institutas, volume III, pg 388)
    Para os réprobos, isto é, para os não escolhidos, seria “àqueles que Deus despreza ele reprova, e faz isso não por outra razão senão porque ele quer excluí-los da herança que Deus predestinou aos que escolheu por seus filhos. Qual é a causa do decreto da reprovação de Deus? É o soberano e bom prazer de Deus. Nenhuma outra causa pode ser aduzida senão à sua soberana vontade. Quando, portanto, alguém perguntar por que Deus fez assim, devemos responder: porque ele quis.” (citado em KLOOSTER, Fred H. A doutrina da predestinação em Calvino. p. 38).
    Outra definição: “Desde a eternidade, antes de vivermos, Deus decidiu salvar alguns membros da raça humana e deixar perecer o restante. Deus fez uma escolha – Ele escolheu alguns indivíduos para serem salvos em eternas bênçãos no céu, e outros Ele escolheu para deixar de fora, para permitir a eles que sigam as conseqüências de seus pecados em eterno tormento no inferno.” (R. C. Sproul, Eleitos de Deus, pg 14)
    Este mesmo autor (calvinista), refletindo sobre o por quê de Deus ter escolhido apenas alguns, chega a seguinte conclusão, não muito diferente da conclusão de Calvino: “A questão continua. Por que Deus somente salva alguns? Se nós admitimos que Deus pode salvar os homens violentando suas vontades, por que então Ele não violenta a vontade de todos e traz todos a salvação? (Estou usando aqui a palavra violentar não porque eu realmente pense que exista uma violentação errada, mas porque os não calvinistas insistem no termo.) A única resposta que eu posso dar a esta pergunta é que eu não sei. Não tenho idéia por que Deus salva alguns e não todos. Não duvido por um momento que Deus tenha o poder de salvar todos, mas eu sei que Ele não escolhe salvar todos. Realmente não sei por quê.” (Ibid, pg 26)
    Para Sproul o livre-arbítrio seria “a capacidade de escolher o que queremos”, e este conceito, igualmente demonstramos em linhas anteriores, tal capacidade é sempre em meio a condições, contexto, ou no mínimo influenciada pelos nossos desejos e vontades, pela natureza, agentes e forças externas, mas nunca totalmente livre, e para explicar isto, Sproul trouxe afirmações interessantes de outro calvinista, já citado, Jonathan Edwards, que se propôs explicar a questão e exterminar, de vez, o “tal” “livre-arbítrio” no que diz respeito a salvação do homem.
    Ainda no livro Eleitos de Deus “De acordo com Edwards, um ser humano não somente é capaz de escolher o que deseja, como precisa escolher o que deseja, simplesmente para ser capaz de escolher. O que eu chamo de Lei da Escolha de Edwards é esta:” A vontade sempre escolhe de acordo com sua mais forte inclinação do momento” . Isto significa que toda escolha é livre e toda escolha é determinada. Eu disse que era enganoso. Soa como uma clara contradição dizer que toda escolha é livre e ainda assim toda escolha é determinada.
    “Determinada”, aqui, não significa que alguma força externa compele a vontade. Em vez disso, refere-se a motivação ou desejo interno de alguém. Em poucas palavras, a lei é esta: Nossas escolhas são determinadas por nossos desejos. Elas continuam sendo nossas escolhas porque são motivadas por nossos próprios desejos. Isto é o que chamamos de autodeterminação, que é a essência da liberdade.”
    A proposta de Edwards parece resolver o problema, o fim último da explicação é mostrar que o homem carnal não pode ir (sozinho) na direção de Deus, não pode desejá-Lo, querer fazer o bem, boas obras de e em Deus, isto porque sempre decidimos em direção a mais forte inclinação do momento. Homem pecador, inclinado ao pecado, separado de Deus, escolhe o que é mal, o que é ruim aos olhos do Pai, enquanto que homem espiritual escolhe coisas espirituais, vida, paz, bondade e misericórdia. Parece muito claro e correto. Em termo mais simples seria o mesmo que dizer que um ser/animal herbívoro só se alimenta de plantas e não de carnes, pois não é de sua natureza. Ótimo! Que bela explicação! Parece elucidar boa parte das dificuldades em entender as chamadas “decisões livres”, ou o “livre-arbítrio”.
    Entretanto, embora aparentemente lógica a definição de Edwards, em sentido amplo ela se aplica bem, mas em sentido estrito não condiz, integralmente ou em todo caso, com a verdade das Escrituras, pois homens regenerados, nascidos de novo, homens espirituais, continuam pecando. “Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.” I Jo 1.8-10
    E da forma que o Edwards e o Sproul postulam, parece que o homem, sem Cristo, só comete torpeza, o tempo todo, em todo tempo é mal, só faz maldades e iniqüidades, inclinação ao pecado, não há sequer, nem sombra de Deus em suas memórias, mentes corrompidos de tal modo que não podem nunca manifestar característica ou pensamento daquele que foram feitos imagem e semelhança, de Deus. Gn 1.26 e 5.1, mal sabem que tal conceito destoa até do pensava João Calvino: ‎
    “Isto, sem dúvida, será sempre evidente aos que julgam com acerto, ou, seja, que está gravado na mente humana um senso da divindade que jamais se pode apagar. Mais: esta convicção de que há algum Deus não só é a todos ingênita por natureza, mas ainda que lhes está encravada no íntimo, como que na própria medula, que a contumácia dos ímpios é testemunha qualificada, a saber, lutando furiosamente, contudo não conseguem desvencilhar-se do medo de Deus.” (Institutas, V. 1, pg 55.)
    Em algum momento de nossa existência, mesmo em má consciência, pecaminosa, lampejos de Deus se manifestam em nós, ainda resta em nós temor do Juízo, do senso de divindade – observe que mesma em vilas e comunidades remotas há divindades, temor do criador, de um julgamento, instituímos leis que em muito se comunicam com a Torá, por exemplo, e devemos perguntar: de onde vem tal sentimento, comum entre todos os homens?
    “e de um só fez todas as raças dos homens, para habitarem sobre toda a face da terra, determinando-lhes os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação; para que buscassem a Deus, se porventura, tateando, o pudessem achar, o qual, todavia, não está longe de cada um de nós;” At 17.26-27
    “Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis;” Rm 1.18-20
    É bem verdade que nenhum homem é totalmente livre, isto porque ninguém é capaz de viver sem pecar, estamos aprisionados, em nossas paixões, mesmo querendo o bem (natural), não conseguimos, e o apóstolo Paulo isto relatou “Pois o que faço, não o entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Agora, porém, não sou mais eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim.” Rm 7.15-17
    Mas quem pode nos livrar desta maldição do pecado, da escravidão de nossa mente e membros? “Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Graças a Deus, por Jesus Cristo nosso Senhor! De modo que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado.” (vs. 24-25)
    E compreendendo que o conceito de Edwards, inclinação a maior necessidade no momento, é demasiadamente relativo em si mesmo (que necessidades?), quantas vezes o homem faz o que lhe é contrário? Quantas vezes toma decisões contra todas as forças exteriores, e às vezes contra seu próprio intelecto? Não fazem jejuns os não crentes? Não se matam, contra toda natureza divina, pois todos somos criaturas de Deus, imagem e semelhança, e contra a natureza humana, “instinto” de sobrevivência, os radicais islâmicos? Ou nunca fazem o bem os que não conhecem a Deus? Não contribuíram com o mundo e a existência humana os cientistas, pensadores, filósofos? Reis, impérios, não contribuíram para o desenvolvimento humano, educação?
    Então o homem pecador nem sempre está a cometer torpeza, está corrompido, morto espiritualmente, embora esteja sempre separado de Deus, longe da Graça e da salvação, visto que independe de obras (Ef 2.5-10), mas pode, em determinadas circunstâncias, escolher e resistir às forças contrárias, restando um arbítrio no íntimo, não totalmente livre, mas também não totalmente cativo a maior necessidade do momento.
    Infelizmente não sabem, a maioria dos que crêem na predestinação Calvinista, que os teólogos Arminianos (assim são chamados o grupo dos que crêem na existência do livre-arbítrio – capacidade de escolha contrária, na liberdade de escolha), que estes também combateram e combatem as idéias pelagianas.
    E aqui entramos na segunda definição de livre-arbítrio – capacidade de escolha contrária, resistir a forças externas, escolher, considerando forças e necessidades, mas com determinada liberdade. Ao final, nenhum homem poderá dizer que teve sua vontade cativa de tal maneira, que mesmo diante da manifestação do Espírito Santo, não lhe era possível dizer sim ou não, receber esta graça (salvação).
    O livre-arbítrio para James Armínius
    “Tal fato é o estado da questão no pelagianismo e maniqueísmo. Se alguém pode entrar em um caminho do meio entre essas duas heresias, ele será um verdadeiro católico, nem infligir uma lesão na Graça, como os pelagianos fazem, nem no livre-arbítrio como os maniqueus.” (Obras de James Arminius, volume I)
    “Quanto graça e livre-arbítrio, isto é o que eu ensino, segundo as Escrituras e o consentimento ortodoxo: livre-arbítrio é incapaz de iniciar ou aperfeiçoar qualquer verdade e o bem espiritual, sem graça. Que eu não possa dizer, como Pelágio, para a prática de ilusão em relação à palavra “graça”, eu quero dizer com isso que é a graça de Cristo e que pertence à regeneração. Afirmo, portanto, que essa graça é simplesmente e absolutamente necessário para a iluminação da mente, a ordem de vencimento das afeições, e a inclinação da vontade para o que é bom.
    É esta a graça que opera sobre a mente, os afetos e da vontade, o que infunde bons pensamentos na mente, inspira bons desejos em ações, e dobra a vontade de continuar em execução pensamentos bons e bons desejos. Esta graça precede, acompanha e segue; excita, assistências, opera que iremos, e coopera para que não vai em vão. Ele evita tentações, assistências e subsídios socorrer no meio das tentações, sustenta o homem contra a carne, o mundo e Satanás, e neste concurso bolsas grandes para o homem o gozo da vitória.
    Ela levanta-se novamente aqueles que são conquistados e caiu, estabelece e fornecê-los com uma nova força, e torná-los mais cauteloso. Esta graça começa a salvação, promove e aperfeiçoa e consuma. Confesso que a mente de um homem natural e carnal é obscura e escura, que as suas afeições são corruptas e desordenado, que sua vontade é teimosa e desobediente, e que o próprio homem está morto em pecados.” (Obras de James Arminius, volume II)
    Não são poucas às vezes em que Armínio nomeia, em seus escritos, as teses pelagianas e semi-pelagianas de heresias, se opondo a elas.
    Outras citações de teólogos arminianos.
    Baltasar Hubmaier, (1481 – 1528, arminiano antes mesmo de Arminio, teólogo do movimento anabatista,):
    “O livre-arbítrio, destruído pela queda, é restaurado por Cristo e pelo Espírito de Deus que opera por meio da Palavra.” (Olson, História da teologia cristã, pg 433)
    Jonh Wesley
    “Não posso conceber porque o dr. E. contende comigo por causa do livre-arbítrio natural, senão que o faz pelo prazer da contenda. Pois é certo que neste ponto, se em nenhum outro, estamos inteiramente de acordo. Creio que Adão, antes da sua queda, era totalmente livre para escolher o bem ou o mal, mas que, desde a sua queda,nenhum filho dos homens tem poder natural para escolher qualquer coisa que seja realmente boa. Contudo sei (e quem não sabe?) que o homem ainda tem de escolher nas coisas de natureza indifiente. Não concorda comigo o dr. E. nisto? Oh! porque procuramos ocasião para contenda!” (Coletânia da teologia de Jonh Wesley, pg 125)
    Que o crer não está totalmente no arbítrio do homem, e o estado, vontade inclinada à satisfação da carne.
    “Dizer que todo homem pode crer para ser justificado ou santificado quando, na verdade, a vontade dele é claramente contrária a isso. (…)Sustento de forma fervorosa que todo homem pode crer se quiser, e, contudo, nego totalmente que pode crer quando quiser.” (Kenneth J. Collins, Teologia de Jonh Wesley, pg 221-222)
    Norman Geisler
    “Alem disso, todas as boas virtudes para com Deus no coração e na vontade também foram, igualmente, perdidas — o amor de Deus, a confiança em Deus, e o temor real a Deus. Deus nao e recebido onde o Espírito Santo não tenha, primeiramente, iluminado e despertado o entendimento, a vontade e o coração. Sem o Espírito Santo os homens são incapazes de realizar obras virtuosas como a fé verdadeira, o amor de Deus e o temor real a Deus, por suas próprias forcas.
    E, por isso, o coração miserável do homem permanece tal qual uma casa desolada, deserta, velha e decadente, sem abrigar Deus e com o vento soprando através das suas janelas. Ou seja, todos os tipos de tendências conflitantes e cobiças arrastam o coração rumo aos mais variados pecados que envolvem o amor, o ódio, a inveja e o orgulho fora de controle. Os demônios também espalharam o seu veneno.
    Quando falamos acerca desta grande ruína dos poderes humanos, estamos falando sobre o livre-arbítrio, pois a vontade e o coração do homem estão miseravelmente aprisionados, afetados e arruinados, de forma que, interiormente, o coração e a vontade do homem são, diferentemente da lei divina, ofensivos e hostis a este, e o homem, por suas forcas interiores naturais, não e capaz de ser obediente. Isto e dito a respeito da obediência interior real, aquela sem hipocrisia.” (Teologia Sistemática, volume 2, pg 59)
    O apóstolo Tiago também discordaria de Edwards, e da teoria de inclinação a maior necessidade ”Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por várias provações, sabendo que a aprovação da vossa fé produz a perseverança; e a perseverança tenha a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma.” Tg 1.2-4
    Para nós, o livre-arbítrio 2, pode ser chamado de livre-arbítrio real, livre-arbítrio arminiano, assim como o livre-arbítrio 1 (senso comum) pode, e deve, ser chamado de livre-arbítrio pelagiano.
    O livre-arbítrio 2, isto é capacidade de escolha contrária, não consiste em desprezar influências internas, externas ou necessidade do momento, mas que mesmo frente as forças, necessidades e agentes externos, escolher, aceitar ou resistir, até mesmo ao Espírito Santo, ex:
    “Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; como o fizeram os vossos pais, assim também vós.” At 17.51
    “mas Cristo o é como Filho sobre a casa de Deus; a qual casa somos nós, se tão-somente conservarmos firmes até o fim a nossa confiança e a glória da esperança. Pelo que, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz,  não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto” Hb 3.6-8
    “Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós.” Tg 4.7
    “Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos estão-se cumprindo entre os vossos irmãos no mundo.” I Pe 5.8-9
    “Portanto tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, permanecer firmes.” Ef 6.13
    A graça, que chega antes, a bondade de Deus nos capacita, nos esclarece, o Espírito nos mostra a vontade Dele, e nossa oração deve ser sempre “seja feita a Tua vontade.”
    Resumindo
    O livre-arbítrio 2 – definimos como a capacidade de escolher em contrário, mesmo frente a agentes externos, meio, situação ou necessidade, a capacidade de resistir e decidir, restritamente, mediante condições, em que nada verga, de tal maneira, a vontade humana, que não se possa atribuir ao homem a responsabilidade de seus atos. Tal capacidade nada mais pode ser, que a semelhança em que fomos criados, advinda de Deus, da livre Graça, da liberdade do criador que dotou a criatura, comer ou não comer do fruto, do bem e do mal, obedecer ou não, esta diante de cada um de nós, agora mesmo. A graça, indispensável à salvação do homem, nos orienta para aquilo que o homem natural não compreende, isto é, as coisas espirituais, nos abrindo os olhos, pela pregação da palavra, a fé vem aos nossos corações (Rm 10.17) e então somos feitos novas criaturas em Cristo Jesus. (II Co 5.17)
    Dito de outro modo:
    O livre-arbítrio – conceito arminiano, a capacidade de escolha contrária. E no que tange a salvação, pela manifestação da Graça de Deus, isto é, com o indispensável auxílio da graça, que vem antes, precede, antecede, auxilia e capacita, de maneira que o homem pode, ao ouvir o Evangelho, ao ouvir o Espírito Santo, entender, aceitar ou ainda, resistir, rejeitar, endurecer o coração, negar o Filho de Deus, não crer no unigênito do Pai. Quão bondoso é o nosso Deus, que nos deu liberdade, e nos deu liberdade da escravidão do pecado em Cristo Jesus, nosso Senhor.
    Jo 3.16
    16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
    17 Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
    18 Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
    19 E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más.
    I Jo 5.10-13
    10 Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê, mentiroso o fez; porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu.
    11 E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho.
    12 Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.
    13 Estas coisas vos escrevo, a vós que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna.


    Flávio Henrique